Quando o céu fecha, a conta fica no campo

Setembro começou com uma contradição conhecida pelos produtores rurais do Paraná: a chuva é indispensável, mas, quando chega concentrada e acompanhada de ventos e granizo, transforma-se em ameaça. Em poucos dias, temporais atingiram principalmente o Oeste e o Centro-Sul do estado, danificando lavouras, derrubando árvores, destelhando estruturas e comprometendo estradas rurais.

Entre a noite de 9 de setembro e a madrugada do dia 10, rajadas chegaram a 95 km/h em Ubiratã. O Simepar confirmou dois tornados, em Francisco Alves e Espigão Alto do Iguaçu. Em Terra Roxa, foram registrados 55 milímetros de chuva em apenas 30 minutos. Em Guaíra, o granizo danificou plantações; em Espigão Alto do Iguaçu, uma área de eucaliptos foi praticamente destruída. Não é apenas previsão: são prejuízos concretos para famílias e propriedades.

A previsão de chuvas acima da média em setembro, influenciada pelo El Niño e pela passagem de frentes frias, aumenta o risco de novos temporais, erosão, encharcamento e movimentos de massa. Nas lavouras de trigo, cevada e outras culturas de inverno, a umidade favorece doenças, atrasa a colheita e pode reduzir produtividade, qualidade e preço.

O problema também ameaça a próxima safra. O excesso de água pode causar falhas na germinação, carregar sementes, compactar o solo e obrigar o produtor a replantar, elevando custos sem oferecer garantia de recuperação. Cada dia de atraso amplia a exposição às perdas.

Por isso, o seguro rural precisa deixar de ser tratado como assunto burocrático. A proposta orçamentária para 2027 prevê R$ 1,2 bilhão para o programa, mas apenas R$ 318,5 milhões estão assegurados; outros R$ 882 milhões dependeriam de crédito suplementar.

O produtor já assume custos de sementes, fertilizantes, máquinas, financiamento e arrendamento. Quando o clima destrói a lavoura, porém, muitas vezes fica sem proteção suficiente. Prevenção, assistência técnica, crédito, zoneamento e seguro precisam funcionar juntos.