O mercado de soja brasileiro entra em 2026 com um paradoxo: enquanto as exportações devem atingir novo recorde de 115,4 milhões de toneladas, os preços permanecem sob pressão devido à ampla oferta global e à moderação no consumo chinês.
A produção brasileira na safra 2025/26 está estimada em 180 milhões de toneladas, consolidando o Brasil como líder mundial. Segundo a Abiove, o esmagamento doméstico deve alcançar 63,3 milhões de toneladas em 2026, avanço de 0,5%. No entanto, a oferta global permanece confortável: o USDA projeta produção americana de 121,79 milhões de toneladas para 2026/27, com estoques finais em 8,44 milhões de toneladas.
A China continua sendo o principal destino da soja brasileira, mas sinais de moderação preocupam. Em junho de 2026, o país importou 13,55 milhões de toneladas, recorde mensal, com 12,08 milhões vindos do Brasil. No acumulado de janeiro a junho, as importações chinesas totalizaram 50,15 milhões de toneladas, crescimento modesto de 1,5%. Especialistas alertam que o plano chinês de reduzir dependência de importações, apostando em biotecnologia e novas fontes de proteína, pode impactar exportações brasileiras de longo prazo.
As cotações na Bolsa de Chicago operam em US$ 12,03 por bushel para novembro, maior valor em seis meses. O preço médio projetado pelo USDA para o produtor americano permanece em US$ 11,40 por bushel. No Brasil, o indicador Cepea/Esalq base porto de Paranaguá atingiu R$ 141,02 por saca de 60 kg em julho, com prêmios de porto variando entre 105 e 135 pontos. Contudo, consultorias projetam preços médios entre R$ 135 e R$ 140 por saca para 2026, com cenário pessimista apontando R$ 120 a R$ 128 em caso de safra cheia e demanda chinesa lenta.
O ano de 2026 exige estratégia dos produtores brasileiros. Com preços pressionados pela oferta abundante e demanda moderada, a gestão de custos e o uso de instrumentos de proteção cambial tornam-se essenciais para preservar margens.
*Feito com o auxílio da Perplexity IA



