É difícil amar o próximo?

 É fácil amar a humanidade, a si mesmo; o difícil é amar o próximo diz um ditado. É fácil exorcizar

 É fácil amar a humanidade, a si mesmo; o difícil é amar o próximo diz um ditado. É fácil exorcizar a pobreza como a grande praga social. Mais difícil é ajudar concretamente os pobres. O sucesso objetivo na eliminação da extrema pobreza passa por um teste crucial de avaliação dos sistemas políticos e principalmente econômicos. Preconceitos e inverdades brotam. Tem-se, por exemplo, por politicamente correto dizer que o capitalismo é bom para produzir, mas que só o socialismo sabe distribuir. O primeiro se preocuparia com a produtividade de material; o segundo com a justiça social. Politicamente correto, talvez, mas historicamente errado. O capitalismo é superior em ambas as tarefas. Basta comparar as nações paradigmas dos dois sistemas no passado: Os Estados Unidos da América e a antiga União Soviética. Então ninguém duvidará que o capitalismo liberal tenha sido uma receita melhor, tanto do ponto de vista da produção como o da distribuição? Os melhores avaliadores são os próprios pobres. Não há pobres emigrando para os países da antiga União Soviética (hoje Rússia, o maior país) enquanto as fronteiras norte-americanas têm de ser severamente policiadas para que o país não se torne um depósito de miseráveis. Fugindo do socialismo, do dirigismo e de outras formas não capitalistas de governo. O slogam O capitalismo é bom para produzir e não para distribuir é assim apenas uma mistura de cretinice acadêmica e falsidade ideológica. Ou o MST é melhor do que o agronegócio?

 Na América Latina, o modismo do dia é dizer que o neoliberalismo é responsável pela agravação da exclusão e o aumento da pobreza. Nada mais idiota. O continente não é nenhum modelo de liberalismo. Na literatura sociológica mundial somos classificados como mercantilistas, patrimonialistas, dirigistas ou pré-capitalistas. E aqueles países que deram uma real guinada liberal, como Argentina, Chile e Paraguai conseguiram por termo a longos períodos de estagnação que reduziram o padrão de vida individual e coletivo. No Brasil, as esquerdas conseguiram um soberbo ilusionismo: o liberalismo ficou associado à imagem de indiferença social e o dirigismo estatal, à idéia de justiça social. Nada mais absurdo. A melhor definição de serviço público no Brasil é aquele serviço que faz falta ao público. A escassez, que sempre se traduz em prejuízo para os pobres, os quais não podem pagar propina ou recorrer ao mercado paralelo, é a situação nos serviços públicos. A Previdência Social pública compulsória, é outra fonte de injustiça social. A contribuição dos pobres aflui para uma vala comum, sujeita à predação de grupos politicamente mobilizados, que obtém aposentadorias precoces e especiais. Todo mundo devia ter o direito de optar por transformar sua contribuição numa caderneta de poupança previdenciária, escolhendo o administrador que poderia ser público ou privado. A função do governo seria fiscalizar o sistema e garantir um mínimo vital àqueles que ao fim de sua vida laboral não tivessem condições de subsistência. As esquerdas brasileiras, que favorecem o dirigismo, certamente não amam os pobres. Historicamente, tem exibido tolerância em relação a inflação, punitiva para os pobres. Defendem alguns privilegiados por vantagens especiais da Previdência pública. Querem universidades públicas gratuitas conquistadas durante o governo Lula, nas quais 70% dos alunos pertencem a classes de renda média alta, enquanto os pobres são prejudicados pela insuficiência do ensino secundário. As esquerdas brasileiras também reclamam da falta de empregos, mas hostilizam os investidores, capazes de criá-los. Querem impostos só sobre os ricos, esquecidos de que a técnica socialista de empobrecer os ricos para enriquecer os pobres não foi bem sucedida em nenhum país. Em suma, o esquerdista brasileiro é um gladiador em constante luta contra a lógica econômica e a experiência histórica.

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