PREOCUPAÇÕES DE UM POETA IDOSO

Filho querido, amada filha. Quando eu derramar comida sobre mim, tem paciência comigo e lembra as horas em que passei

Filho querido, amada filha. Quando eu derramar comida sobre mim, tem paciência comigo e lembra as horas em que passei ensinando-te a comer co tua colherinha de estimação. E eu só ria das tuas trapalhadas… Se, quando conversar contigo, eu repetir as mesmas histórias que tu sabes de sobra como terminam, não me interrompe, apenas me escuta. Quando tu eras pequeno, para que dormisses, tive que te contar milhares de vezes a mesma história até que, sorrindo, fechasse os olhinhos. Quando eu não conseguir “segurar” minhas necessidades, não fiques com vergonha. Compreende que não tenho culpa disso, pois já não as posso controlar. Pense quantas vezes, pacientemente, troquei tuas roupinhas para que estivesses sempre limpinho e cheiroso. Não me reprove se eu não quiser tomar banho, seja paciente comigo. Lembra-te dos momentos que corri atrás de ti e os mil pretextos que eu inventava para te fazer tomar teu banho! Quando me vir inútil e ignorante na frente de novas tecnologias que já não poderei entender, me dá todo o temo que seja necessário e não me machuques com um sorriso de desprezo ou de pena. Lembra-te que fui eu que te ensinou tantas coisas: comer, te vestir e como enfrentar a vida tão bem como fazes hoje. Isso é resultado do meu esforço e da minha perseverança. Se em algum momento, quando conversarmos, e me esquecer do que estávamos falando, tem paciência e me ajuda a lembrar. Talvez a única coisa importante naquele momento seja o fato de te ver perto de mim, me dando atenção, e não o que falávamos. Se alguma vez eu não quiser comer, saiba insistir com carinho. Assim como fiz contigo. Compreende, também, que com o tempo, não terei dentes fortes e nem agilidade para engolir. E quando minhas pernas falharem por estarem cansadas e enfraquecidas, e eu já não conseguir mais me equilibrar, com ternura, dá-me tua mão para me apoiar, como eu fiz quando tu começaste a caminhar com tuas perninhas tão frágeis. E se um dia me ouvires dizer que não quero mais viver, não te aborreças comigo; algum dia vais entender que isto não tem a ver com teu carinho ou o quanto eu te amo. Compreende que é difícil ver a vida abandonando aos poucos o meu corpo e que é duro admitir que já não tenho mais o vigor para correr ao teu lado, ou para tomar-te em meus braços, como antes. Sempre quis o melhor para ti e sempre me esforcei para que teu mundo fosse mais confortável, mais belo, mais florido. E quando eu partir, construirei para ti outra rota em outro tempo, mas estarei sempre ao teu lado, zelando por ti, olhando por ti. Não te sintas triste ou impotente por me ver assim. Dá-me apenas o teu coração, compreende-me e dá-me o teu apoio como fiz quando tu começaste a viver. Isso me dará forças e muita coragem. Da mesma maneira que te acompanhei no início da tua jornada, te peço que me acompanhes para terminar a minha. Trata-me com amor e paciência e eu te devolverei sorrisos e gratidão, com imenso amor que sempre tive por ti, meu filho. Filho querido, acredita: eu serei feliz quando sentir que tu és feliz…

EXEMPLO DE UM JOVEM CASAL

Quando seu filho fez um ano, o casal pediu aos convidados para a festa que direcionassem os presentes a crianças carentes cujo nome, idade e sexo estavam afixados em cada convite. O casal afirmou: “Nosso filho não necessita de nada, ele tem o que precisa, queremos guardar as fotos dele doando o que ganhou aos mais necessitados e assim ele possa aprender conosco que os mais pobres tem grande importância em nossa vida”.

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