“Meu leite diminuiu” – Porque isso acontece?

Thaise de Almeida Granzotto Nutricionista e Consultora em Amamentação A maior preocupação das mães em relação à amamentação é sobre

Thaise de Almeida Granzotto

Nutricionista e Consultora em Amamentação

A maior preocupação das mães em relação à amamentação é sobre a produção de leite e, ao contrário do que muitos pensam, as condições anatômicas e fisiológicas são as menos incidentes nos casos de baixa produção. Além disso, embora seja a primeira justificativa, na maioria dos casos de bebês que não estão ganhando peso adequadamente a causa não está relacionada a capacidade de produção de leite materno.

            É comum que em algum momento do período de lactação, algumas mulheres se queixem de redução da produção, muitas vezes acreditando que seu leite está secando, que não vai mais suprir as necessidades do bebê, que precisam usar medicamentos ou comer determinados alimentos para aumentar a produção ou até mesmo que o bebê esteja rejeitando o seio.

            Existem algumas situações onde a produção diminui, entretanto, é necessária a avaliação por profissional qualificado para identificar a causa e reverter a situação o mais breve possível.

            Excluindo-se as causas físicas, que são raras, a avaliação das questões práticas é essencial, ou seja, relacionadas à forma de amamentar e as circunstâncias ao redor disto. Felizmente, geralmente, são simples de serem modificadas.

           Vamos então citar aqui algumas condições em que a produção de leite pode diminuir:

  • Adaptação à demanda do bebê: do final da gestação aos primeiros dias do nascimento do bebê o leite produzido é chamado de colostro. Este, é produzido em pequena quantidade (cerca de 20ml por mamada), o que é totalmente adequado às necessidades energéticas e à capacidade gástrica do bebê, não sendo necessário portanto, a complementação com fórmula, exceto em situações extremas e raras. Entre o 3º e 7º dia após o parto, acontece a apojadura (descida do leite em grande quantidade). Inicialmente, a mãe percebe suas mamas cheias e muitas vezes ocorre ingurgitamento. Isso ocorre porque o organismo da mãe ainda não sabe o volume necessário ao bebê. Após as primeiras semanas, a produção de leite passa a ser regulada pela ingestão. Isso não quer dizer que o leite diminuiu apenas se adaptou às necessidades.
  • Uso de fórmulas infantis, outros leites, água ou chás: a recomendação é que o bebê recebe leite materno exclusivamente até os seis meses, entretanto, quando é inserido na dieta do lactente, outros leites, água ou chás, o que ocorre é uma redução da amamentação. Como o leite é produzido pela ordenha e esvaziamento das mamas, nos horários em que o bebê ingerir esses outros líquidos, não estimulará o seio e, portanto, haverá menor produção de leite com o tempo. Se realmente for necessário uso de complemento, deve ser orientado individualmente, havendo técnicas adequadas para isso, evitando-se introduzir mamadeira. Além disso, é importante concomitantemente, intervir na causa da baixa produção para reestabelecer o aleitamento materno exclusivo.
  • Uso de bicos artificiais (chupeta, mamadeira, chuquinha ou intermediário de silicone): um dos maiores causadores de desmame precoce é o uso desses produtos por causarem confusão de bico. A sucção dos bicos artificiais acontece de forma diferente da sucção para extração de leite da mama e, ao passar dos dias a forma de mamar vai ficando prejudicada, algo que não é percebido pela mãe. Além da confusão de bicos, o uso de chupeta faz com que o bebê realize sucção não nutritiva e muitas vezes, estará com a musculatura fadigada no momento da amamentação. O uso da mamadeira, por sua vez, também trará a confusão de fluxo, pois o bebê ficará condicionado a receber uma quantidade maior de leite sem ter que fazer esforço, fazendo com que comece a rejeitar o seio e, necessitar cada vez mais de complemento até mesmo pela produção insuficiente causada pela falta de estímulo e ordenha adequada.
  • Amamentação com horários estabelecidos: a livre demanda mantém o estímulo frequente das mamas, além de garantir a adequação da produção em relação as necessidades do bebê. Quando o bebê passa pelos picos de crescimento, é indispensável que ele faça mais sucções ao seio, ou seja, demandará de mais mamadas ao longo de alguns dias para que o organismo da mãe entenda que está na hora de aumentar a produção.
  • Ingurgitamento/mastite: sempre que a mama estiver muito cheia, o fator inibidor da lactação enviará mensagens ao cérebro para não produzir mais leite, portanto, o segredo para aumentar a produção, ao contrário do que se acredita, é manter as mamas sempre vazias. Muitas mães acreditam que se esvaziarem a mama, o bebê ficará sem leite, o que é um mito. Quanto mais se retirar leite, maior a produção.

           É importante entender, que com o tempo as mamas não ficarão mais cheias e endurecidas, doloridas ou vazando o tempo todo. Com a adaptação, o leite será produzido durante a mamada, por isso não precisam se preocupar.