Quando o amor vira ameaça

Os casos de feminicídio continuam se repetindo de forma assustadora. Mudam os nomes, mudam as cidades, mas a história quase sempre parece a mesma: uma mulher ameaçada, perseguida, humilhada ou silenciada, até que a violência chega ao pior desfecho. E depois da tragédia, todos perguntam: “como ninguém percebeu antes?” Mas a verdade é que, muitas vezes, os sinais estavam ali, no ciúme tratado como prova de amor. No controle disfarçado de cuidado. Na agressividade relativizada. Nas ameaças ignoradas dentro de casa. A sociedade ainda normaliza comportamentos perigosos e só se assusta quando o pior acontece.

O problema vai além das leis

Leis são importantes. Prisões são necessárias. Medidas protetivas salvam vidas. Mas talvez o problema seja ainda mais profundo. Porque violência contra a mulher não nasce do nada, ela começa em pequenas atitudes aceitas socialmente há décadas. Começa quando o homem aprende que pode controlar, exigir, pressionar e tratar a mulher como propriedade emocional. enquanto isso não mudar dentro das famílias, da educação e da cultura, continuaremos enxugando gelo. A sociedade precisa parar de romantizar comportamentos abusivos e começar a ensinar, desde cedo, que respeito não é favor, é obrigação.

O que precisa mudar urgentemente

Talvez esteja faltando algo que vai além da indignação das redes sociais. Está faltando denunciar, acolher e ouvir mais cedo. Está faltando vizinhos, amigos e familiares levarem os sinais a sério antes que seja tarde demais. E está faltando muitos homens aprenderem que rejeição não é humilhação, fim de relacionamento não é afronta e amor nunca foi posse. Porque o feminicídio não começa no crime, começa no silêncio, no controle, nas ameaças ignoradas e na cultura que ainda confunde obsessão com amor. E enquanto isso continuar sendo tratado como “normal”,  mulheres continuarão morrendo por algo que jamais deveria ser chamado de amor e sim de doença com perfil fortemente psicopático.

A minha caneta anotou

O abraço ao amigo Nelson Pivatto da Pivatto corretora de seguros na Mal Rondon que sempre prestigia este espaço, também à familia Guerra da Movelar I e II e todo o pessoal dos postos Lalaco I e II onde o combustível é mais barato.