Certa vez, aprendi uma lição com o meu saudoso pai que nunca mais esqueci. Ele me disse: filho, a morte nunca será plenamente aceita por nós. Na época, talvez eu não tenha compreendido toda a profundidade dessas palavras. Hoje, entendo que quando perdemos alguém aos 10 anos, achamos cedo demais. Se parte aos 20, aos 40, aos 60, aos 80 ou até aos 90 anos, a dor continua a mesma. Sempre pensamos que aquela pessoa poderia ter vivido mais um pouco para tê-la no meio de nós.
Sofremos por causa do apego e desejo
É da natureza humana desejar mais um abraço, mais uma conversa, mais um aniversário, mais um dia ao lado de quem amamos. Por isso, a morte quase nunca encontra um coração preparado. A filosofia budista ensina que grande parte do sofrimento humano nasce do apego e do desejo. Talvez seja verdade. Quanto maior o amor e desejo, maior a saudade; quanto maior o apego, mais difícil é a despedida.
A morte sempre trará tristeza
Encerro esta reflexão com um pensamento que sempre me emocionou: “A morte de um jovem é como um naufrágio; a morte de um idoso é como chegar ao porto.” A morte nunca deixará de nos entristecer, mas compreender que ela faz parte da travessia da vida pode nos ensinar a valorizar ainda mais o tempo que temos com aqueles que amamos. Talvez nunca estejamos preparados para perder quem amamos, e talvez nem devamos estar, porque enquanto a despedida nos doer, será sinal de que o amor valeu a pena.
A minha caneta anotou
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