Editorial
O tempo é o senhor da razão

O senador Flavio Arns protocolou um projeto de lei para tratar do controle, da fiscalização e da regulamentação do uso da maconha no país, para fins medicinais.

A atitude de Arns surpreende pela postura sempre conservadora do parlamentar. No entanto, ele, como muita gente sabe, que é um assunto que precisa ser discutido e trazido à baila com mais veemência, porém, partindo dele é um gesto de coragem. O fato de surpreender, no entanto, não caracteriza aqui, qualquer tipo de preconceito. O certo é que a descriminalização das drogas no Brasil é um assunto que divide opiniões, especialmente se tratando da maconha. De um lado, grupos de pessoas sugerem que a liberação do uso da cannabis seria a porta de entrada para a utilização das demais drogas, como cocaína, craque, e assim por diante. Do outro, argumentos defendem que a liberação ajudaria no controle de consumidores, em tratamentos medicinais, e até na economia do país, a exemplo dos EUA e Uruguai. Quais seriam, portanto, as reais consequências que a regulamentação da maconha traria ao país?

Pode se dizer que, atualmente, a maconha é utilizada da pior maneira possível. Não existe um controle de quantidade ou qualidade quanto o consumo. Não se tem uma média de quantos usuários são viciados, quantos utilizam para fins medicinais, qual a idade média dos consumidores e nem quais danos a planta causa ao organismo, já que é misturada a substâncias desconhecidas para comercialização ilegal. Como se não bastasse, a compra do produto contribui para o crime organizado, ajudando traficantes não preocupados, de fato, com a saúde alheia.

Em países como o Uruguai, o cultivo caseiro já foi legalizado, limitado a seis pés de maconha por pessoa, e a produção coletiva de até 99 pés, por clubes com até 45 sócios maiores de idade.

Seis anos depois de aprovada, a Lei da Maconha no país vizinho, já produz alguns resultados positivos. O governo comemora a redução de crimes relacionados ao narcotráfico.

Mas o resultado positivo apresentado no Uruguai, não é argumento suficiente para abrandar a polêmica e o assunto certamente será tema de debates acalorados nas áreas política, social e de segurança. A discussão sobre o tema já existe, mas daí para se tornar lei, ainda vai um tempo. Mas com o projeto, o senador Flávio Arns reacende a polêmica.

A propósito, isso nos leva a uma sátira, citando um trecho de “Malandragem dá um tempo”, de Bezerra da Silva, lançado em 1986: “Vou apertar, mas não vou acender agora e se segura malandro, pra fazer a cabeça tem hora”.