Por que o Campo é das Crianças?

Entre as muitas estórias dos antepassados de Laranjeiras, uma que desperta a curiosidade é sobre a origem do nome Campo das Crianças, em Virmond. A comunidade, assim como o município vizinho, pertenciam à Laranjeiras do Sul e segundo causos contados pelos antigos, o local foi palco de um dos mais sangrentos episódios envolvendo indígenas e brancos na região.
‘Sêo’ Luiz Ribeiro Batista, filho de João Ribeiro Batista, é talvez o único pioneiro que nasceu na região e ainda está vivo. Aos 77 anos, ele mora com a família na comunidade de Rio Gavião, antiga Linha Benício, e para quem quiser escutar, conta o que seu pai lhe contou.
O velho João Ribeiro Batista chegou na região em 1918, vindo de Imbituva e contou para seu filho que no Amola Faca, hoje Colônia Coronel Queiroz, moravam dois cunhados na beira da estrada. Um deles, disse que ia pegar um rumo e achar um lugar para morar. Ele achou um lugar e os índios começaram a aparecer. Mas ele começou a agradá-los, conta sêo Luiz. Comprava sacos de açúcar de 60 quilos e foi dando aos pouquinhos aos indígenas até que amansou, reproduz.
Com o bom relacionamento, uma indígena doou um casal de crianças para o homem cuidar. Mas o menino era muito malvado. Jogava comida para os porcos e quando eles vinham, cortava eles com facão. Então o homem bateu no indiozinho, que fugiu e foi para o toldo, onde moravam os indígenas em Boa Vista. Lá, contou o ocorrido para o chefe. No outro dia veio o toldo inteiro. Cada um com uma ramagem na frente. Eles estavam almoçando e viram os indígenas chegando, por isso trancaram a casa, relembra.
O trágico final da lenda contada por ‘sêo’ Luiz Ribeiro Batista revela que os indígenas subiram no telhado, tiraram a cobertura, entraram na casa e mataram o casal, mais duas crianças maiores. Tinha dois pequenos e a indiazinha abraçou as crianças e pediu para que não matassem, pois gostava muito delas, afirma o historiador. Os indígenas, segundo o relato, comeram a metade do açúcar e deixaram o restante para que as crianças não morressem de fome. Uma delas andava, a outra só engatinhava, acrescenta.
Questionado sobre a veracidade da história, sêo Luiz garante: é verdadíssima. Eram índios bravos, não eram mansos, como os que têm agora, justifica. A família, segundo ele, só foi encontrada dias depois pelo outro cunhado, que estranhando a ausência do parente veio atrás para ver o que havia acontecido. Por cima da casa haviam urubus e dentro, ele encontrou as inocentes crianças convivendo com os familiares mortos. Por isso, esse lugar ficou conhecido como Campo das Crianças, conclui.