Fobias

Entre as perturbações desencadeadas pela ansiedade, destacam-se, inevitavelmente, as fobias, que se tratam de um medo irracional de determinado objeto, situação ou circunstância.

                Denominadas no passado de maneira especial na língua grega, essas perturbações apresentavam-se de maneira esdrúxula e ameaçadora.

                Em face da variedade de objetos e circunstâncias que as desencadeiam, passaram a constituir um capítulo denominado como de fobias específicas. A que se refere às alturas – acrofobia -, dos recintos fechados – claustrofobia -, dos micróbios – bacilofobia…

                O que chama a atenção é o medo em si mesmo, porque destituído de qualquer racionalidade, pela impossibilidade da ocorrência de qualquer mal ou prejuízo, no entanto irresistível, levando ao desespero aqueles que lhes sofrem o aguilhão. Em face dessa irracionalidade, o paciente, está preocupado com algo que lhe aconteça e o infelicite, gerando-lhe dissabor e sofrimento, mesmo que todas as análises dos fatos demonstrem a total impossibilidade disso ocorrer.

                Desde há muito tempo, tentou-se encontrar os desencadeadores que respondem pelas fobias, sem resultado muito proveitoso. No entanto, o eminente John Locke acreditava que esses medos provinham de fatores associativos, fortuitamente gerados por ideias apavorantes que ficaram arquivadas no inconsciente, tais as narrações de contos fantasmagóricos e de tragédias, de almas de defuntos que vieram buscar pessoas, produzindo medo do escuro, de dormir sozinho, e desenvolvendo ansiedade e outros distúrbios.

                Ainda hoje a tese tem validade, e muitos autores recorrem à possibilidade de teoria do condicionamento clássico. O motivo desse condicionamento é o objeto temido e o efeito é o condicionado, que se expressa, na ativação autonômica, que apresenta disritmia cardíaca, sudorese álgida e abundante…

                Quando a pessoa foi vítima de um animal ou de uma circunstância desagradável, isso poderá desencadear uma fobia específica em relação à ocorrência. Normalmente, porém, generaliza-se esse estado fóbico em relação a outros estímulos, mesmo que nã9o apresentem perigo. Despertado esse estímulo perturbador em outra circunstância, o medo ressurgirá e se expressará em condicionamento a outros diferentes estímulos.

                Embora existam outras teorias para explicarem as fobias, como a teoria da prontidão, sempre surgem críticas em razão dos casos que se deslocam das matrizes iniciais, no caso, a herança dos medos do homem primitivo em relação a serpentes, aranhas, baratas, e outros motivos que foram transferidos através das gerações ao ser humano. Assim sendo, concluem alguns estudiosos que há uma tendência inata no ser humano em assimilar determinados estímulos mais do que outros, o que daria surgimento aos fóbicos.

                Nesse capítulo, as fobias sociais desempenham papel perturbador no comportamento de diversas criaturas, pelo medo que possuem de serem humilhadas em público, de ao terem que falar em reuniões, gaguejarem, e não poderem desincumbir-se a contento, asfixiarem-se em refeições em restaurantes ou reuniões sociais, assim evitando quaisquer que possam desencadear essa desagradável ocorrência. Em consequência,  fogem das reuniões e grupamentos sociais, poupando-se a sofrimentos que lhes parecem insuportáveis. Não raro, quando obrigadas a participação em festas, recepções, encontros, convivências, procuram ânimo em bebidas alcoólicas e drogas outras, sempre com resultados de efêmera duração, que terminam por adicionar ao transtorno fóbico a dependência ainda mais cruel e de mais difícil erradicação.

                As fobias estão associadas espiritualmente a condutas incorretas anteriormente vivenciadas, quando se permitiram os indivíduos abusos e crueldades, ou sofreram sepultamento em vida, considerados mortos e estando apenas em estado cataléptico, despertando depois e vindo a falecer em situação deplorável, desenvolvendo a claustrofobia, ou foram vítimas de crueldades em praças e ambientes abertos, diante da massa alucinada, desencadeando agorafobia e fobia social, etc. Noutros aspectos, ocorrências traumáticas não superadas, transferiram os estímulos geradores de sofrimentos que ora se converteram em fobias específicas.

                Ao lado de diversas psicoterapias valiosas capazes de reverter o quadro fóbico, não há como negar-se a valiosa psicanálise, bem como a terapia regressiva a existências passadas, de acordo com cada distúrbio, de modo a encontrar-se o estímulo traumático e trabalha-lo cuidadosamente, assim interrompendo-lhe a força associativa.

                Não obstante os resultados positivos que possam advir, é conveniente não se esquecer da renovação moral do paciente, da sua mudança mental de atitude para com a vida, ao mesmo tempo laborando em favor do grupo social, portanto de si mesmo, com vistas ao seu futuro saudável e feliz.

Livro: TRIUNFO PESSOAL. Joanna de Ângelis (Espírito). Psicografia Divaldo Pereira Franco. Livraria Espírita Alvorada – Editora. 7ª ed. Salvador – BA. 2013.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza. CEAC. Guaraniaçu – PR.  manoelataides@gmail.com