O Silêncio Que Ninguém Ousa Perguntar –  A solidão escondida por trás da força masculina

Quem me acompanha aqui sabe que escrevo, quase sempre, para as mulheres. Para aquelas que carregam o mundo nas costas e ainda pedem desculpa por estar cansadas. Mas hoje eu quero virar a página, com respeito e com cuidado, e falar de um público que também precisa de atenção e que raramente recebe: os homens.

Não estou falando do homem invencível dos filmes. Estou falando do seu pai que nunca aprendeu a pedir um abraço. Do seu irmão que some quando está mal. Do seu filho que responde “tô bem” com uma voz que diz o contrário. Do seu marido que dorme do seu lado e ainda assim parece estar num lugar muito distante. A Organização Mundial da Saúde declarou a solidão uma epidemia global. E os dados são duros: entre os mais afetados estão os homens. Não porque eles sintam mais, mas porque foram ensinados a não sentir, ou melhor, a não mostrar. Cresceram ouvindo que choro é fraqueza, que ajuda é dependência, que problema se resolve sozinho e em silêncio.

O resultado disso não é força. É isolamento. As amizades masculinas, em sua maioria, se sustentam no futebol, no trabalho, na superfície. Não há espaço para dizer “estou me sentindo só”. Não há vocabulário para isso. E quando a mulher da vida deles vira o principal, às vezes o único, vínculo emocional, qualquer rachadura nessa relação vira uma avalanche. Homem solitário não nasce. É fabricado. Tijolo por tijolo, desde a primeira vez que alguém disse: para de chorar, você é homem. No consultório, ao longo dos anos, aprendi a reconhecer a solidão masculina pelo que ela não diz. Ela aparece na raiva fácil, no distanciamento, no “não preciso de ninguém” dito com orgulho. Mas por baixo de tudo isso há um ser humano com a mesma fome de pertencer que qualquer outro, só que sem permissão para admitir.

Então, se você é mulher e chegou até aqui, guarda essa coluna. Não para usar como argumento numa briga, mas para olhar com outros olhos para o homem que está do seu lado. E se você é homem e chegou até aqui, provavelmente sem contar pra ninguém que leu, saiba que procurar ajuda é o ato mais corajoso que existe. A porta está aberta.

Te espero na terapia,

Nezia Santos

Psicologa | CRP 08-31716