Alagamento e cidades sem árvores
Uma das letras clássicas mais famosas das canções do Djavan parece se encaixar perfeitamente para nossas chuvas de inverno: “dia frio, um bom lugar para ler um livro…”. Entretanto, com as tempestades dos últimos dias, as chuvas fortes e os alagamentos, talvez não tenha sobrado muito tempo para ler ou qualquer outra lazer criativo.
As ruas alagadas em dias de chuva forte têm se tornado uma constante desagradável e perigosa em nossa cidade, e muito do que alaga tem um motivo bastante óbvio, a cada vez mais perigosa escassez de árvores no perímetro urbano.
As barreiras de concreto e asfalto que impedem a absorção completa da água da chuva, impermeabilizando o solo e provocando alagamentos se agrava indiscutivelmente com a ausência de arborização. As raízes das árvores facilitam a drenagem da água pelo solo, as copas minimizam a temperatura no verão e tornam a paisagem mais bela, menos áspera do que os aglomerados de concreto que se multiplicam pelas ruas.
Mais agradáveis aos olhos e, não raramente, atrações turísticas, ruas arborizadas, alamedas floridas com som de pássaros são elementos que fazem com as cidades se tornem mais humanas, mais bonitas e mais adequada às pessoas do que aos carros.
As vantagens ecológicas e a prevenção ao acúmulo de água de chuvas torrenciais são apenas uma vantagem adicional a uma arborização mais efetiva das cidades. Cortar uma árvore numa rua em que já há tão poucas poucas, não apenas contribui para o calor excessivo dos transeuntes, mas para o inevitável embrutecimento dos sentidos e do conforto que só a proximidade com a natureza consegue oferecer.
Uma cidade sem árvores além de ser escaldante no verão, muito mais ventosa no inverno, propicia alagamentos durante o ano todo. Ruas arborizadas são um elemento arquitetônico fundamental para o bem viver nas cidades. Fechar os olhos para essa obviedade é não apenas estar em dissonância com boas práticas urbanísticas, mas esquecer o bem estar das pessoas.



