Nada nos processos que originaram a vida indica direção ou propósito prévio ao seu surgimento. O universo não evidencia possuir qualquer intencionalidade em relação à vida; seus processos físicos ocorrem da mesma forma, exista vida ou não.
Os processos físico-químicos conhecidos relacionados à origem da vida (como as hipóteses de evolução química) e os mecanismos evolutivos posteriores (como a seleção natural) não requerem nem pressupõem um agente direcionador, pois são demonstráveis por si só. Como os modelos científicos atuais explicam os fenômenos conhecidos sem recorrer a um agente inteligente, a hipótese de design inteligente torna-se metodologicamente desnecessária. Tratar complexidade ou baixa probabilidade como sinônimo de intenção é uma falácia, pois não é porque é complexo que há intenção.
Carl Sagan disse que “afirmações extraordinárias exigem evidências extraordinárias”. Se, como afirmou Sagan, afirmações extraordinárias exigem evidências extraordinárias, então a hipótese de que uma inteligência projetou deliberadamente a vida requer evidências proporcionais à sua excepcionalidade. Vale lembrar a navalha de Hitchens: “o ônus da prova cabe a quem faz a afirmação”, onde quem faz uma alegação, sem apresentar suas evidências, pode tê-la rejeitada sem a necessidade de refutação detalhada.
Entre as principais linhas de pesquisa estão a hipótese da evolução química (Oparin-Haldane); o experimento de Miller-Urey; a hipótese do mundo de RNA; a hipótese do mundo ferro-enxofre; os modelos das fontes hidrotermais alcalinas (Russell e Martin); e, a hipótese da panspermia, que propõe a disseminação da vida, mas não sua origem.
Em síntese, não se está afirmando que a vida não surgiu por um ato divino, mas que ainda não foi apresentada a evidência de que ela assim surgiu. O que temos é o esforço humano para entender como isso ocorreu e os instrumentos que a ciência dispõe para investigar essa questão.
Jure et facto.



