
O agronegócio brasileiro precisa parar de procurar uma “nova China” e construir uma nova estratégia. Pequim continuará sendo nosso principal cliente, mas caminha para reduzir a dependência externa de alimentos. O 15º Plano Quinquenal chinês (2026-2030) aposta em produtividade, biotecnologia e novas fontes de proteína. É um aviso contra a ideia de demanda garantida.
Em 2025, as exportações do agronegócio brasileiro alcançaram o recorde de US$ 169,2 bilhões. A China respondeu por 32,7% desse valor. A concentração em soja, carnes e commodities sustenta uma relação poderosa, porém vulnerável a mudanças no consumo, na demografia e na segurança alimentar chinesa. Se o comprador desacelera, o impacto chega à renda do produtor, ao câmbio e aos investimentos.
Em artigo do Money Times, David Laborde, da FAO, rejeitou a ideia de que a Índia ocupará sozinha o lugar de Pequim. A aposta mais realista está no crescimento do consumo na África e no Oriente Médio e na expansão da bioeconomia. Porém,a China também investe em tecnologia e produção agrícola na África. O continente tem terras e potencial, mas enfrenta limitações de renda, logística e estabilidade. Com capital e conhecimento, pode tornar-se fornecedor mais próximo de Pequim e concorrente do Brasil em grãos, fibras e proteínas.
A resposta brasileira não pode ser esperar volumes chineses sempre crescentes. É preciso diversificar destinos e produtos, ampliar acordos sanitários, vender alimentos processados e transformar sustentabilidade em vantagem comercial. Frutas, lácteos, pescados, cafés especiais e proteínas de maior valor agregado merecem atenção. A bioeconomia abre outra fronteira: a FAO estima que a oferta global de biomassa teria de triplicar ou quadruplicar para substituir amplamente os combustíveis fósseis. O Brasil tem escala, ciência e clima para liderar, desde que produza mais sem repetir erros ambientais.
A China continuará essencial, mas não deve ser nosso único plano. O futuro dependerá menos de encontrar um novo gigante e mais de preparar o agro para vários mercados, inovação e maior valor por tonelada.
*Feito com o auxílio da Perplexity IA



