João Olivir Camargo o homem que guardou a história de Laranjeiras

No Dia do Historiador, legado de escritor e radialista resgata personagens, documentos e memórias que ajudam a contar a trajetória do município

A história de uma cidade também é feita por relatos, documentos, fotografias e lembranças que passam de uma geração para outra. Em Laranjeiras do Sul, parte dessa memória foi reunida pelo trabalho de João Olivir Camargo, historiador, radialista, cronista e escritor que dedicou décadas ao registro da trajetória do município e da região.

Nascido em 1947, João Olivir construiu sua atuação pública por meio da comunicação e do contato com moradores antigos. Na década de 1960, iniciou os trabalhos como radialista na Rádio Educadora de Laranjeiras. Ao longo da carreira, usou o rádio e a imprensa para contar histórias e registrar fatos ligados à cultura e à formação da comunidade.

No jornalismo impresso, também deixou sua marca como colunista do Jornal Correio do Povo do Paraná. Na coluna ‘O Ponto do Conto’, recuperava causos, personagens e histórias locais, aproximando a memória dos moradores do cotidiano dos leitores.

Uma vida dedicada à memória

O trabalho de João Olivir não ficou restrito aos veículos de comunicação. Ele também atuava como palestrante e educador voluntário em escolas públicas e privadas da região. Em encontros com estudantes, apresentava mapas antigos, fotografias e documentos como forma de aproximar as novas gerações da história do lugar onde vivem.

Entre seus principais trabalhos está o livro ‘Nerje Laranjeiras do Sul: “Raízes da Nossa Terra” – A História Épica e Contemporânea’, publicado em 1999. A obra reúne informações sobre diferentes períodos da formação local, incluindo os primeiros processos de ocupação, as fazendas pioneiras, o período do Território Federal do Iguaçu, quando Laranjeiras foi capital, e o processo de emancipação e desenvolvimento do município.

Para construir o livro, o historiador reuniu documentos e relatos de moradores e famílias pioneiras. A pesquisa também buscou preservar informações que poderiam se perder com o passar dos anos.

O legado que permanece

A obra de João Olivir ganhou importância para pesquisas sobre a história regional. Seus registros são utilizados como fonte em trabalhos acadêmicos que abordam temas relacionados à ocupação territorial, às disputas por terras e à formação social do Centro-Sul e do Sudoeste do Paraná.

O livro teve tiragem limitada e não recebeu novas edições, o que contribuiu para tornar os exemplares originais importantes registros sobre a história de Laranjeiras.

João Olivir Camargo morreu em setembro de 2019, aos 71 anos, após enfrentar um câncer. Seu nome, porém, permanece ligado à memória do município. Como reconhecimento à sua trajetória, o poder público batizou de Centro de Eventos João Olivir Camargo um dos principais espaços culturais e de lazer de Laranjeiras do, no Parque do Lago II.

Neste 19 de agosto, Dia do Historiador, a trajetória de João Olivir ganha novamente espaço justamente pelo trabalho que marcou sua vida: reunir histórias, documentos e lembranças para que a passagem do tempo não apagasse parte da identidade de Laranjeiras.

O trabalho de João Olivir não ficou restrito aos veículos de comunicação. Ele também atuava como palestrante e educador voluntário em escolas públicas e privadas da região. – Foto: Arquivo JCPP