Adriano Barreto ensina a transformar dinheiro em liberdade

Consultor financeiro falou sobre planejamento, investimentos, reserva de emergência, aposentadoria e comportamento

O consultor e planejador financeiro Adriano Barreto participou do Podcor, podcast do Correio do Povo do Paraná, e contou como a própria trajetória contribuiu para sua atuação no mercado financeiro. Natural de Cantagalo, ele começou a trabalhar aos 12 anos, motivado pelo desejo de ter autonomia e liberdade.

Na infância, segundo Barreto, os pais reforçavam a importância de trabalhar e estudar. Ao observar amigos que vendiam picolés e engraxavam sapatos, decidiu buscar a própria renda.

Aos poucos, a experiência profissional o levou de uma loja de materiais de construção, em Cantagalo, para o setor bancário. Barreto trabalhou cinco anos no Bradesco e depois 11 anos no Sicredi, onde passou por agências e áreas de negócios ligadas a meios de pagamento e investimentos.

O aumento da renda, porém, também trouxe um aprendizado sobre consumo e endividamento. Segundo ele, ao começar a ganhar mais, passou a gastar mais e perdeu parte da autonomia que havia buscado na adolescência.

“Quando eu me endividei, aquela autonomia e aquela liberdade que eu experimentei lá aos 12, ela desapareceu”, afirmou.

A experiência o levou a estudar mais sobre o funcionamento do dinheiro. Formado em Administração pela Unicentro, Barreto afirma que parte importante desse aprendizado veio da prática.

“Foi na prática, na vida real. Acertando. Errando e aprendendo”, disse.

Planejamento

Para Barreto, o planejamento financeiro começa com a análise de informações quantitativas e qualitativas. A primeira envolve dados como renda, despesas, dívidas, patrimônio, seguros e impostos. A segunda busca compreender a história, os objetivos e os comportamentos de cada pessoa.

Ele afirma que a relação com o dinheiro é construída ao longo da vida e pode variar até entre pessoas criadas na mesma família.

A partir dessa análise, o planejamento busca definir o que o profissional chama de “ideal de vida boa” de cada cliente. A proposta é alinhar patrimônio e recursos financeiros aos objetivos pessoais, sem estabelecer um padrão único de consumo.

Barreto também destaca que a mudança de hábitos exige tempo. Segundo ele, comportamentos financeiros são construídos ao longo de anos e não desaparecem de forma imediata. Por isso, a participação da família e a comunicação entre os envolvidos são importantes.

No planejamento, o controle de gastos é apenas uma etapa. Depois de organizar o fluxo financeiro e formar capacidade de poupança, entram questões como investimentos, crescimento patrimonial, riscos, impostos, aposentadoria e sucessão.

Reserva de emergência

Ao falar sobre investimentos, Barreto rejeitou a ideia de que exista uma aplicação que seja melhor para todas as pessoas. Para ele, a escolha depende do perfil de risco, dos objetivos e dos prazos.

“Não existe o melhor investimento, existe o teu organismo, o teu perfil, existe o que você precisa”, comparou, usando a escolha de um medicamento como exemplo.

Antes de buscar rentabilidade, porém, ele considera essencial formar uma reserva de emergência. A recomendação apresentada na entrevista foi manter recursos suficientes para cobrir de seis a 12 meses de despesas, preferencialmente em aplicações de baixo risco e com alta liquidez.

“O investimento mais importante, e esse dá para dizer qual é, é a reserva de emergência”, afirmou.

Segundo o consultor, a reserva não tem como objetivo principal maximizar ganhos, mas oferecer segurança diante de imprevistos, como uma demissão, além de permitir que o investidor tenha tempo para avaliar oportunidades sem precisar aceitar qualquer alternativa por falta de dinheiro.

Entre os exemplos citados estão o Tesouro Selic e CDBs de instituições de qualidade com liquidez diária.

Risco, emoção e investimentos

Barreto também alertou para o risco de decisões tomadas pela expectativa de enriquecimento rápido. Segundo ele, a busca por ganhos imediatos pode levar investidores a colocar dinheiro em aplicações incompatíveis com sua realidade financeira.

As emoções também influenciam as decisões. Barreto explicou que muitos investidores entram em ativos depois de grandes altas e vendem quando os preços caem, seguindo o movimento do mercado em vez de avaliar os fundamentos.

“Ele compra quando está em alta e vende quando está em baixa. Por quê? Porque ele não olhou o fundamento, ele olhou a emoção do momento”, disse.

O consultor citou ainda o chamado FOMO, medo de ficar de fora, como um fator que pode levar pessoas a comprar determinados ativos apenas porque outros estão fazendo o mesmo.

Aposentadoria

A preparação para a aposentadoria foi outro tema discutido. Barreto defendeu que parte da renda seja destinada à formação de patrimônio de longo prazo.

Ele apresentou o conceito de “capital humano”, formado por fatores como energia, saúde, conhecimento e capacidade de trabalho. Segundo o consultor, esse capital tende a mudar ao longo da vida, o que reforça a necessidade de transformá-lo, enquanto possível, em patrimônio financeiro.

Entre as alternativas citadas estão previdência privada, fundos imobiliários e imóveis, sempre dentro de uma estratégia de diversificação.

Barreto também falou sobre PGBL e VGBL. Segundo ele, o PGBL pode oferecer benefícios tributários para determinados contribuintes, de acordo com a forma de declaração do Imposto de Renda e outras condições.

O consultor alertou, porém, que quem já possui previdência privada deve revisar as condições do produto, incluindo taxas e a qualidade dos fundos associados.

Certificação e atuação profissional

Ao longo de 16 anos no mercado financeiro, Barreto acumulou certificações profissionais. Entre elas está o CFP, certificação de planejador financeiro que, segundo ele, exige prova extensa, comprovação de experiência, trabalho final e educação continuada.

Ele afirmou que o profissional certificado precisa seguir um código de ética e manter a formação contínua para continuar utilizando a certificação.

Atualmente, Barreto atua com planejamento financeiro, consultoria de investimentos, palestras e treinamentos. Segundo ele, o trabalho também pode ser aplicado dentro de empresas, especialmente diante de problemas financeiros enfrentados por funcionários.

Para o consultor, dificuldades com dívidas, consumo excessivo e apostas podem afetar o bem-estar e a produtividade dos trabalhadores.

“Fazer o dinheiro trabalhar por você”

Ao resumir sua atuação, Barreto afirmou que busca unir a experiência pessoal, a vivência no mercado financeiro e o conhecimento técnico para ajudar pessoas e famílias a organizar o patrimônio de acordo com seus objetivos.

“Fazer o dinheiro trabalhar por você, não você ficar a vida inteira trabalhando pelo dinheiro”, afirmou.

Para ele, ganhar dinheiro e preservar patrimônio são desafios diferentes. O planejamento deve considerar não apenas a formação de riqueza, mas também os riscos, impostos, aposentadoria e a transferência dos bens para os herdeiros.

“Ficar rico e continuar rico são coisas diferentes”, disse.

No encerramento, Barreto reforçou que a educação financeira não precisa ser vista como algo inacessível. Segundo ele, mudanças podem exigir sacrifícios, mas são possíveis quando há conhecimento, planejamento e disciplina.

“É possível, depois que você entende o mecanismo do dinheiro, depois que você tem uma boa relação com o dinheiro, você mudar a tua condição social, econômica e trazer os benefícios para si e para as pessoas que você ama”, conclui.