Nessa vida tudo tem sua razão de ser: não há um só dos vossos sofrimentos, que não corresponda aos sofrimentos por vós causados; não há um só dos vossos excessos que não tenha por consequência uma privação; não há uma só lágrima a destilar dos olhos, que não seja destinada a lavar uma falta, um crime qualquer. Suportai, portanto, com paciência e resignação as dores físicas e morais, por mais cruéis que elas se vos pareçam.
Imaginai o trabalhador que, amortecidos os membros pelo cansaço, prossegue no trabalho, porque tem diante de si a dourada colheita, outros tantos frutos da sua perseverança. Assim, a sorte do infeliz que sofre nesse mundo; a aspiração da felicidade, que deve constituir-se em fruto de sua paciência, torná-lo-á resistente às dores efêmeras da Humanidade. Cada uma das suas dores acolhida como expiatória, corresponde à extinção de um erro do passado; e quanto mais cedo os erros se extinguirem, tanto mais breve será feliz.
Entretanto a falta de resignação esteriliza o sofrimento, que, por isso mesmo, teria de ser recomeçado. Convém-lhe, pois, ter coragem e a resignação para suportar os sofrimentos terrenos, e quando achar que está difícil demais, rogue a Deus e aos bons Espíritos que a lhe concedam.
Coragem, a todos vós que sofreis; considerai a brevidade da existência material, pensai nas alegrias eternas. “Invocai a esperança, a dedicada amiga dos sofredores; a fé, sua irmã, que vos mostra o céu, onde com aquela podeis penetrar antecipadamente. Atraí também a vós esses amigos que o Senhor vos oculta, amigos que vos cercam, que vos sustentam e amam, e cuja solicitude constante vos reconduz para junto daquele a quem haveis ofendido, transgredindo as suas leis.
Da obra O Céu e o Inferno, Ed. FEB. De Allan Kardec.



