Produtores de leite protestam na BR-277 contra preços baixos e importações do Mercosul

Manifestação ocorreu ontem (10), próximo ao pedágio, nos proximidades de Nova Laranjeiras; Justiça proibiu bloqueio da rodovia e ameaçou multar cada participante em R$ 5 mil

Produtores de leite da região de Laranjeiras do Sul realizaram na manhã de ontem (10) uma manifestação às margens da BR-277, próximo à praça de pedágio. O ato buscava chamar a atenção para a crise enfrentada pelo setor, marcada principalmente pelo preço baixo pago ao produtor e pelo aumento das importações de leite em pó da Argentina e do Uruguai.

Situação considerada insustentável
A mobilização no local revelou que os produtores vivem uma situação considerada insustentável. Segundo os manifestantes, eles estão recebendo R$ 1,40, R$ 1,50 o litro do leite, e isso inviabiliza a atividade. A intenção inicial era interditar parcialmente a rodovia para amplificar o alcance do protesto.

Bloqueio impedido e multa
No entanto, a concessionária responsável pelo trecho ingressou na Justiça e obteve decisão impedindo o bloqueio da via. O intuito era interditar a BR-277, para chamar mais a atenção das autoridades federais. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou aos produtores que, caso insistissem no bloqueio, cada participante poderia ser multado em R$ 5 mil por dia. A possibilidade de penalidades elevadas acabou desmobilizando parte do ato.

Indignação cresce com concorrência externa
Apesar do refluxo, o clima era de indignação. De acordo com os produtores, o principal fator que pressiona o preço do leite no Brasil é a entrada de leite em pó subsidiado pelos governos da Argentina e do Uruguai. “O custo lá é beneficiado pelo governo, o governo banca uma parte da despesa, o que não acontece aqui no país”, explicou um deles. Esse subsídio permitiria que o produto importado chegasse ao mercado brasileiro com valor final menor que o leite produzido internamente, segundo avaliação dos manifestantes.

Descontentamento generalizado
O protesto, ainda que limitado pela intervenção judicial, expressou o descontentamento crescente da categoria com os custos de produção, a concorrência externa e a falta de políticas públicas capazes de equilibrar as condições de mercado.

Relembre o último protesto
No dia 14 de outubro, produtores de leite e lideranças de Rio Bonito do Iguaçu foram à BR-158 para denunciar a crise que há meses sufocava uma das bases econômicas do município. O protesto, realizado de forma pacífica na entrada do Assentamento Ireno Alves dos Santos, interrompeu parcialmente o fluxo da rodovia por cerca de 30 minutos, com períodos alternados de liberação do trânsito.
De acordo com os participantes, um dos principais fatores que alimentam a crise é a entrada crescente de leite em pó importado, especialmente de países vizinhos do Mercosul. Segundo eles, o produto chega ao mercado brasileiro com vantagens tributárias e competitivas que pressionam o preço interno, levando à desvalorização do leite produzido localmente.
Prefeito e vereadores acompanharam a mobilização e defenderam o ato como um alerta. A mensagem das autoridades locais foi unânime: a crise é real, profunda e precisa de resposta urgente.
Rio Bonito do Iguaçu é reconhecido como a maior bacia leiteira da Cantu e uma das principais do Paraná. Por isso, a crise atual não afeta apenas os produtores, mas toda a cadeia econômica municipal: de lojas de insumos a mercados, de transporte a pequenos prestadores de serviço. A instabilidade do setor tem colocado em alerta gestores públicos e entidades da agricultura familiar.

Nova Laranjeiras
No mesmo dia, Nova Laranjeiras também se mobilizava. Cerca de 150 produtores participaram do ‘Manifesto Pró-Leite’, realizado na praça da prefeitura. Agricultoras e agricultores relataram dificuldades crescentes para manter a produção, descrevendo a rotina de quem precisa dividir a renda entre a sobrevivência da família e a alimentação dos animais. Em meio à tensão, uma frase se repetiu entre os participantes e sintetizou o sentimento coletivo: quem alimenta o país exige condições dignas para continuar trabalhando.