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Conheça a normativa Nº 76 que regulamenta a qualidade do leite brasileiro

De acordo com o técnico de qualidade Leandro Zimmer, são rigorosos os parâmetros de componentes e controle de células e bactérias. “Quem não atender os padrões, não vende para nenhum laticínio”, disse.

O leite é um dos alimentos mais consumidos em todo o mundo, fornecendo nutrientes essenciais para uma dieta equilibrada. No entanto, para que atenda plenamente às necessidades nutricionais e seja seguro para o consumo, é fundamental garantir sua qualidade em diversos aspectos. O controle de qualidade é um processo imprescindível para garantir a segurança e a qualidade do produto final. Existem diversos parâmetros e indicadores que devem ser avaliados para garantir a qualidade, quem regulamenta é a legislação a normativa Nº76, de 26 de novembro de 2018.

Normativa Nº 76

Entre os parâmetros que determinam a qualidade do leite, de acordo com Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), destacam-se:

  • Gordura e proteína

            São componentes essenciais do leite, desempenhando papéis vitais na nutrição            humana. A gordura fornece energia e é fonte de ácidos graxos essenciais, enquanto a        proteína é fundamental para o crescimento e reparo dos tecidos. A concentração           adequada desses nutrientes é crucial para garantir a qualidade nutricional do leite. O teor         mínimo de gordura permitido na lei é de 3 gramas a cada 100 gramas, já de proteína total   de 2,9 gramas a cada 100 gramas de leite.

  • Lactose e sólidos Totais

            A lactose é o principal carboidrato presente no leite, sendo a principal fonte de energia para     o corpo. Os sólidos totais englobam todos os componentes sólidos do leite, incluindo       gordura, proteína, lactose e minerais. O teor adequado de lactose e sólidos totais contribui para o sabor, a textura e a densidade nutricional do leite. O teor mínimo de lactose é de        4,3 gramas a cada 100gramas, e de sólidos totais, 11,4 gramas a cada 100 gramas.

  • CCS e CPP

A Contagem de Células Somáticas (CCS) quantifica células de defesa no leite, sendo um indicador de saúde da glândula mamária e da qualidade do leite. Uma CCS alta pode sugerir problemas como mastite. Já a Contagem Padrão em Placas (CPP), mede o número de bactérias no leite, refletindo sua higiene e segurança. Ambas análises são cruciais para assegurar a qualidade e segurança do leite produzido, exigindo monitoramento regular. O limite máximo de CCS permitido no leite cru é de 750.000 células somáticas por mililitro. E o máximo de CPP permitido é de 300.000 unidades formadoras de colônias por mililitro.

Análise laboratorial

Todos os laticínios são obrigados a fazer as análises do leite que chega até eles. É crucial para detectar problemas como microrganismos nocivos, resíduos químicos e higiene inadequada na ordenha. Isso garante a qualidade do produto final em termos de sabor, aroma, cor e textura. Para isso, é essencial implementar um plano sistemático de controle de qualidade, incluindo amostragem e análise representativas da produção, permitindo a identificação precoce de problemas e a aplicação de medidas corretivas.

Assistência técnica

Para que os produtores de leite consigam garantir um produto final de alta qualidade, que atenda as exigências da legislação, todos os laticínios têm profissionais responsáveis para junto desses produtores, fazer os ajustes necessários.

O técnico de qualidade do laticínio São Leopoldo, Leandro Zimmer, por meio de visitas periódicas, afirma que é de suma importância esse contato com o produtor. “Todo mês o laticínio recebe um relatório com as análises do leite de cada produtor, e a partir da segunda média fora do padrão, a visita se torna obrigatória, na qual verifico o que está errado e o oriento para corrigir”.

Notificação

Leandro ainda relata de acordo com a Normativa nº 77, de 26 de novembro de 2018, se o leite estiver fora do padrão exigido de CPP, o produtor é notificado, e se houver repetição dos dados por três meses seguidos, os laticínios não podem mais coletar o leite naquela propriedade. “Cada produtor tem um código de identificação que vincula a propriedade a uma coordenada geográfica. Se não atender os padrões da normativa, a coleta do produto é bloqueada e esse produtor não pode vender o leite para nenhum laticínio.”

O técnico afirma que para que não ocorra esse bloqueio, é necessário que o produtor tenha máximo cuidado com o manejo e dieta dos animais, limpeza de sala de ordenha, tubulações, calibragem e regulagem do resfriador onde o produto fica estocado até a coleta.