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Médica Veterinária alerta sobre sintomas e tratamentos da Tristeza Parasitária Bovina

Segundo Letícia Salmória, apesar de complexa, a doença, causada principalmente por carrapatos, pode ser reversível com o diagnóstico precoce

A alta incidência de chuvas no verão traz mais uma preocupação acerca do carrapato: as doenças propagadas. Entre elas, a que se destaca e mais preocupa os produtores é a Tristeza Parasitária Bovina (TPB), que pode causar a morte do animal.

Em entrevista ao Jornal Correio do Povo do Paraná, a médica veterinária e professora do Centro Universitário Campo Real, campus Laranjeiras do Sul, Letícia Salmória, alerta sobre os sintomas e o tratamento necessário.

O que é?

De acordo com a professora, a TPB, amplamente conhecida, é um complexo de doenças, que podem ser ocasionadas por diferentes agentes. “Entre eles estão a Babesia bovis e Babesia bigemia, que causam a Babesiose e Anaplasma marginale, causadoras da Anaplasmose. O principal vetor dessas doenças é o carrapato”.

Na Anaplasmose, conforme Letícia, a transmissão também pode ocorrer por insetos hematófagos e fômites, ou seja, objetos contaminados.

Infecção

Ela explica que os carrapatos transmitem a doença no momento em que ocorre o repasto sanguíneo, através da saliva, eles injetam os protozoários nas células sanguíneas, chamadas de hemácias. “Quando chegam até as hemácias, os protozoários realizam a destruição, levando a anemia e sinais característicos da doença. Além disso, na Anaplasmose os animais podem ser contaminados por picadas de insetos, que realizam a transferência direta de sangue de portadores. Outra forma é pela utilização de agulhas infectadas durante a vacinação”, detalha.

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Suscetibilidade

Segundo o trabalho desenvolvido por pesquisadores do Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Saúde Animal Desidério Finamor (Ipvdf) da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), publicado recentemente na revista “Tropical Animal Health and Production”, criada pela Universidade de Edimburgo, Escócia, há animais que são suscetíveis à doença.

O estudo, coordenado pelo médico veterinário e pesquisador do IPVDF, que integra o Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA/Seapi), José Reck,mostra que a imunidade (resistência) dos terneiros para a anaplasmose é diretamente relacionada a duas características das mães: ordem de parto e imunidade das mães algumas semanas antes do parto. Conforme o médico veterinário, essas duas características ajudam a entender por que alguns animais são mais suscetíveis do que outros dentro de um rebanho e pode ajudar o pecuarista a evitar surtos. “Considerando que não há vacinas disponíveis para o controle da anaplasmose no Brasil atualmente, a identificação de fatores que diminuam a chance de surtos é fundamental ao produtor rural”, diz Reck.

Sintomas e tratamentos

Os principais sinais apresentados pelos animais são febre, apatia, palidez de mucosas, icterícia (mucosas com coloração amarelada), taquipneia, tremores musculares e ranger dos dentes. Letícia aponta que a Babesiose e Anaplasmose possuem suas particularidades, mas existe uma similaridade entre os sinais apresentados pelos animais infectados por esses protozoários.

Quanto a tratamento, a médica veterinária afirma que é possível, porém, é necessário que o produtor esteja atento quanto ao aparecimento de carrapatos. “Como o parasita é o principal transmissor, os protocolos de tratamento precisam ser iniciados imediatamente. A doença é complexa mas pode ser reversível”. 

Letícia alerta que em casos severos, a febre apresentada durante a alta taxa de parasitas pode levar as fêmeas a apresentarem abortos, bem como, redução na fertilidade dos touros. “Em estágios mais avançados, podem ocorrer problemas no sistema nervoso central, levando a morte. É necessário entender o real problema enquanto há tempo”, finaliza a professora.