AVIO DE FOGO

O avio ao qual me refiro nada tem a ver com o verbo aviar, mas consta da sabedoria popular como

O avio ao qual me refiro nada tem a ver com o verbo aviar, mas consta da sabedoria popular como isqueiro primitivo ou artefato para fazer fogo. Avio de fogo era como os moradores dos Campos de Palmas identificavam o isqueiro que usavam para acender cigarros, o fogão de lenha ou qualquer fogueira. O antigo isqueiro também conhecido como binga ou bingo na maioria das vezes era abastecido com gasolina e possuía uma pedrinha especial para produzir faíscas quando em atrito com uma espécie de rebolo.

Quando menino, admirava os adultos conversando sobre o aumento dos preços dos combustíveis anunciado pelo rádio e ouvia de um deles: Pode aumentar quanto quiser, pois eu só tenho o avio para abastecer. Alguns dias depois ouvia os mesmos – inclusive o do avio – reclamando sobre o aumento dos preços dos gêneros alimentícios no único armazém existente naqueles fundos de fazendas, esquecendo-se que todos aqueles produtos eram transportados em caminhões à gasolina, portanto, o aumento do custo do frete era pago pelo consumidor final. Quando ouço alguém comentando despreocupação com o preço do pedágio por não ter carro próprio sinto vontade de lembrar que leia com atenção o bilhete da passagem de ônibus, onde está citado o valor que cada passageiro paga pelo pedágio, o mesmo acontecendo com as mercadorias transportadas por rodovias. 

Em suma, todos pagam pedágio. O DIEESE – Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos divulga mensalmente qual o valor do salário mínimo suficiente para sustentar uma família de quatro pessoas. Numa das últimas estimativas que li o Departamento estabeleceu o salário mínimo ideal em R$ 3.777,93. Imaginemos uma grande indústria com centenas de funcionários pagando o salário do DIEESE e mais os encargos trabalhistas que não são poucos. Onde este aumento brutal de custos iria parar? Claro, nos produtos daquela indústria e, portanto, para nós consumidores finais. Ficaria elas por elas. Até mesmos as estatais com milhares de funcionários como as concessionárias de água ou energia elétrica que pagam muito além do mínimo teriam que ajustar salários e quem cobriria este ajuste? O Consumidor final. Ficaria elas por elas, e tenho dito.

 Exagero: Duas mamães comentavam sobre quanto os meninos se sujavam brincando no quintal. E, uma delas: Imagine, vizinha, ontem eu tive que lavar oito garotos para descobrir qual era o meu filho!