Ir ao teatro

Há um livro que gosto muito, cujo título bastante provocativo me parece uma reflexão muito útil nestes tempos de streamings e comodidades on-line: O teatro é necessário? Nesse livro o filósofo e teatrólogo francês Denis Guénoun fala sobre como nos primórdios do cinema havia o temor de que a nova arte pudesse substituir ou mesmo apagar o teatro como expressão artística popular.

Tal como a história mostra, o teatro segue forte onde consegue atuar. Sobrevive nas capitais e no interior, festivais multiplicam-se, grupos amadores e profissionais circulam e, mesmo com todas as dificuldades, insistem em estar em cena. Há algo que, como salienta Guénoun, só acontece com a presença viva dos artistas, algo ligado ao estar em relação, em jogo com a plateia. Algo que a fruição solitária das telas em casa não consegue proporcionar. É um tipo de diálogo, de interação, que só é possível ao vivo, respirando junto com os artistas e com o púbico ao lado.

Algo ligado também ao político, com o colocar em cena os temas centrais da sociedade, estabelecer a reflexão e o debate. É claro, cidades menores, com menos programação cultural, têm mais dificuldade em estabelecer esses vínculos. Por isso, acho uma grande oportunidade quando os grupos de teatro circulam e levam seus espetáculos para o maior número de cidades possível. Neste final de semana, por exemplo, teremos em Laranjeiras do Sul, o espetáculo teatral O Arquipélago, trabalho da Cia Súbita de Teatro, uma das companhias mais representativas do Paraná e com grande atuação em festivais e mostras nacionais.

Vale aproveitar a circulação para ver o espetáculo, conversar com os artistas, refletir em conjunto sobre o fazer teatral e seus embates. As apresentações serão no Cine Teatro Iguaçu, as entradas são gratuitas.