Seminário dos Xaverianos: o egoísmo de hoje, pode custar muito caro às futuras gerações

Este artigo de opinião foi escrito por Serli Andrade

Porque defendemos a municipalização da área onde se situa o Seminário dos Padres Xaverianos?

Primeiro, porque é uma das poucas áreas com vegetação nativa da Mata Atlântica, dentre elas, Pinheiros e Jabuticabeiras, no centro, sinalizando se tornar o coração da cidade, uma vez que para todos os lados, em todos os bairros, é visível a expansão. Fato que do ponto de vista do desenvolvimento meramente econômico, pode ser visto como espetacularmente positivo.

No entanto, o capital monetário, sem os elementos da natureza, necessários para a qualidade do ar, que é um patrimônio vital e coletivo, de nada serve.

E para a qualidade do ar, é preciso que haja vegetação e agua. Imaginemos uma cidade cimentada, cheia de prédios, em que pese a ilusão dos shoppings cheios de vitrines com roupas de grifes a preços que poucos podem comprar. Esta cidade, vai ampliando suas bordas com vegetação, que vão ficando cada vez mais distantes. E então, esses rios e vertentes que já agonizam, secam.

Sem um significativo complexo de árvores e sem água, o ar fica seco, as doenças respiratórias que já nos afligem, vão se intensificando e quem mora ou trabalha no centro da cidade, vai sendo afetado. Disto é certo que todos que me lêm aqui, sabem. Pois é cientificamente comprovado. O Movimento Pela Memória e pela Vida, apenas está recorrendo a esta informação para lembra-los que a realidade não pode contemplar só nossos interesses financeiros. Não podemos ser egoístas ao ponto de entender que a vida na Terra pode ser o resultado do bel prazer da geração que está aqui, agora.

Estamos acompanhando a Terra bater recordes de aquecimento global, todos os anos. O que falta para entendermos que espaços como o do Seminário dos Padres e Jabuticabal não poder ser entregues para a iniciativa privada, que ávida pelo poderio financeiro, vem causando todo o transtorno ambiental que estamos sentindo em variadas manifestações? A iniciativa privada faz aquilo que até assume que faz. Mas não sem a omissão do poder público que nos representa. Nos representa mesmo?

Vamos imaginar que a compreensão dos sujeitos de direito, que estão hoje, à frente do executivo e legislativo da nossa cidade, dos possíveis compradores daquela área e até mesmo dos ilustríssimos Missionários da Ordem Xaveriana, permita que preocupem-se, primeiramente, com o futuro daqueles a quem têm amor incondicional (seus filhos, netos, irmãos, sobrinhos, e suas sucessivas gerações consanguínea). Como será a qualidade de vida desses descendentes, que tenham que habitar um grande centro urbano, pois em função de suas importâncias, servirão à sociedade em seu núcleo geográfico, como são sistematizadas as cidades? Eles terão de usar ar-condicionado o tempo todo para poder suportar a secura do ar, o excesso de calor? O que isto vai significar para a saúde destas futuras gerações da sua própria família, se não para toda a espécie humana que aqui tiver de habitar? Os motivos relacionados a ambição monetária, não se esgotam por aí. Mas neste aspecto, vamos refletir sobre o que já foi posto para prosseguirmos nas próximas implicações mais imediatas.

Outro aspecto que não se pode ignorar, é a simbologia cultural e até espiritual daquele espaço. Alí, é a referência da oportunidade que tantas pessoas desta região, cujo IDH é o menor do Paraná, teve, de estudar, de poder compreender melhor a sociedade e hoje estar à frente de empreendimentos sociais da importância de prefeitos, ex-prefeitos, vereadores, diretores de escolas. Não fosse a oportunidade estendida sim, pela Congregação dos Missionários Xaverianos, jamais teriam conseguido. A vida teria passado e estariam como tantos, que têm talento, mas não tiveram a oportunidade de se desenvolver intelectualmente. Isto é a MEMÓRIA que significa a essência da cultura de um povo com suas trajetórias, simbolizadas nos espaços por onde tiveram suas experiências. E neste sentido, mesmo que ali passe a ser um parque ou outro tipo de atividade social, se preservadas as características, segue como referência do caráter de cidadania construído, e que vai sendo transmitido para as novas gerações. São valores minha gente! Valores imateriais. Valores que também são um tipo de capital. Se chamam capital cultural, capital social, capital de direitos.  Pois os cidadãos e cidadão, trabalhadores e trabalhadoras, pagadores e pagadoras de impostos são detentores do direito público, e deveriam sim, ter suas memórias e histórias preservadas. Vocês não acham?

Quem sabe ainda possamos ter a oportunidade do diálogo e da troca de opiniões, valores tão importantes e igualmente escassos, em outros espaços. Minha intenção neste momento, é convidá-los a uma reflexão que remete ao compromisso com o futuro. Reflexão prática e objetiva sobre o que é importante para a vida. Independente de quais sejam as ideologias. Os motivos que nos unem como espécie humana, como cidadãos e como referência são mais importantes. Pois, as marcas que deixamos, à frente daquilo que nos compete neste momento, são reais e serão a história. O que já se perdeu não podemos mudar. Mas não podemos nos pautar pelo negativo. E a coerência, a lucidez e a razão que devem nos guiar. Gratidão pela Leitura!

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