O século XX, com suas crises e transformações, trouxe para muitas pessoas dúvidas sobre a capacidade da razão e da ciência de oferecer respostas para questões que ultrapassam a explicação dos fenômenos, como o sentido da existência. Dessa forma, embora não apenas por esse motivo, estamos vivendo um reavivamento de ideias religiosas como uma possível busca por sentido.
Para Albert Camus, o absurdo nasce do confronto entre nossa necessidade de encontrar sentido e a ausência de uma resposta definitiva do mundo. No entanto, a falta a priori de sentido na vida não é um motivo para desespero, mas sim o ponto de partida para uma existência livre.
Jean-Paul Sartre nos dizia que a vida não tem um sentido pronto ou universal; o sentido é construído no dia a dia por meio das escolhas.
Já para Viktor Frankl a vida não é uma pergunta que nós fazemos ao mundo esperando uma resposta pronta, mas que somos chamados a responder às situações concretas que ela nos apresenta.
Friedrich Nietzsche escreveu que a vida não possui nenhum sentido intrínseco, objetivo ou dado por Deus, e que o verdadeiro propósito deve ser criado ativamente por nós mesmos.
Para Nietzsche, podemos simplesmente aceitar os valores, normas e crenças herdados da sociedade, submetendo-nos à moral do rebanho, ou podemos assumir a tarefa de questioná-los e criar novos valores a partir de nossa própria experiência. Ele nos diz que a única saída da condição de rebanho não é liderar a manada, mas viver fora dela criando seus próprios valores.
Em suma, podemos viver atribuindo à nossa existência um sentido recebido de terceiros ou assumir a condição de espíritos livres, capazes de construir autonomamente um sentido para a própria vida, sem depender de respostas absolutas ou de verdades previamente estabelecidas. Na perspectiva nietzschiana, essa tarefa de superação encontra sua expressão no conceito de Übermensch, o além-do-homem. A escolha é nossa.
Jure et facto.



