Auxílio emergencial sem orçamento

 Não há dúvidas que há muitos brasileiros que necessitam do auxílio emergencial, mas outro ponto claro é o endividamento do

 Não há dúvidas que há muitos brasileiros que necessitam do auxílio emergencial, mas outro ponto claro é o endividamento do Brasil, assunto sério e que precisa ser muito bem pensado e planejado. O dinheiro a ser destinado ao pagamento de novas parcelas não se materializará do nada.

Muitos discutem e defendem a prorrogação do auxílio sem sequer pensar em algo chamado Orçamento.

A definição do Orçamento é fundamental para o futuro do auxílio emergencial porque, até agora, quase todos os políticos envolvidos na discussão têm priorizado o pagamento do benefício sem lembrar de que há regras fiscais a cumprir e que esse dinheiro terá de ser cortado em algum outro lugar. Sem ter muito claras as previsões de receita e despesa, acomodando o custo do auxílio emergencial – sejam quais forem os valores das parcelas, sua duração e o número de beneficiados – por meio da redução em algum outro gasto, essa discussão não chegará a lugar nenhum.

Havendo a opção pela prorrogação do auxílio, haverá também o corte equivalente em outra despesa, começam a surgir gambiarras fiscais. Já ganha força, por exemplo, a ideia de abrir crédito extraordinário ou de prolongar o estado de calamidade pública, com nova carta branca para despesas ilimitadas. Guedes não descarta completamente a possibilidade, desde que ela tenha como contrapartida uma série de medidas de ajuste fiscal. Se der errado, pode abalar a confiança dos mercados no Brasil, gerando consequências as mais diversas, como novas desvalorizações no câmbio.

Não há dúvidas de que a situação dos brasileiros mais pobres pede resposta; as previsões de recuperação infelizmente não se cumpriram ainda, com o desemprego em níveis elevados e muitos negócios experimentando o abre-e-fecha das restrições em muitos lugares do país, contra as novas ondas de Covid-19. A discussão do Orçamento já seria fundamental em circunstâncias normais, mas estes tempos pedem ainda mais seriedade e pressa. Ela será o primeiro grande teste da tão falada harmonia construída entre Executivo e Legislativo neste início de 2021