Salve-se quem puder

Como é que vamos cobrar seriedade e exatidão dos nossos políticos se a corrupção está arraigada na nossa cultura?  

Como é que vamos cobrar seriedade e exatidão dos nossos políticos se a corrupção está arraigada na nossa cultura?

 

Detectores de metal e de pontos eletrônicos, coleta da impressão digital dos participantes, fiscalização de lanches, entre outras medidas para coibir fraudes.

Não, não é nenhum evento em penitenciária e nem reunião da classe política. São cuidados adotados para evitar fraudes de alunos que pretendem através do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), ingressar em uma Universidade, cursar o ensino superior e quem sabe ser um médico, advogado, engenheiro e até político, porque não?

Mas o que chama a atenção no país da corrupção é que os nossos futuros profissionais já são obrigados a passar por uma prova de honestidade.

Mas de quem é a culpa?

A culpa é dos inúmeros casos de fraudes descobertas em edições anteriores do Enem.

O Enem tem uma tradição de vazamentos. Em 2009, os cadernos do exame foram furtados na gráfica, e o MEC suspendeu o exame. Em 2010, achou-se um vazamento de questões na Bahia. No ano seguinte, outro, no Ceará. Em 2014 houve denúncias em Teresina e em Fortaleza. Além delas, a Polícia Federal chegou à quadrilha mineira que teria vendido as provas para 15 pessoas de Mato Grosso. Coisa de profissionais com 20 anos de experiência e intercâmbio tecnológico com chineses. A turma operava com exames antes da criação do Enem.

As provas podem vazar de duas maneiras, pelo furto das questões antes da prova ou pela transmissão das respostas durante sua realização.

Pois é, como é que vamos cobrar seriedade e exatidão dos nossos políticos se a corrupção está arraigada na nossa cultura? Estamos citando aqui o Enem porque as provas acontecem já no próximo domingo (05).

Mas vamos falar do Seguro Desemprego por exemplo. Só para citar um dos casos, o Ministério do Trabalho identificou uma série de irregularidades no pagamento do seguro-desemprego no setor de transporte de cargas. Entre abril e maio deste ano, auditores da pasta identificaram 2.180 motoristas trabalhando na informalidade, sem carteira de trabalho, sendo que 31% deles recebiam o benefício social mesmo(Não?) trabalhando.

E não para por aí. Vamos lembrar também casos de fraudes no INSS. Em outubro de 2016, a PF implantou uma nova sistemática de trabalho para a detecção de grupos organizados de fraudadores da previdência social. Antes disso, os pedidos com sinais de fraudes eram cadastrados a partir dos dados do requerente dos benefícios pelo INSS e enviados a PF para investigação.

Com esse novo método de investigação, chegou-se a um escritório de advocacia. Com a colaboração da unidade de Inteligência Previdenciária, teve acesso a 150 pedidos feitos por meio deste escritório, todos eles com irregularidades como o fornecimento de informações falsas e o uso de documentos falsos, gerando um prejuízo de R$ 14 milhões à Previdência Social.

E anote, estes exemplos são apenas alguns de tantos que foram descobertos ou que estão sendo investigados pela PF.

Vendo isso, fica fácil entender porque tanta cautela em relação ao Enem. Que nos perdoem os brasileiros do bem, mas é difícil acreditar em honestidade, observando tanto descalabro.

Infelizmente temos que admitir que o Brasil se transformou no país do salve-se quem puder!

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