Após acordo, patrão e empregado restabelecem a amizade e decidem manter o vínculo de emprego

Um conflito trabalhista entre um vigilante e um empresário de Mozarlândia terminou melhor do que o esperado. Em audiência de

Um conflito trabalhista entre um vigilante e um empresário de Mozarlândia terminou melhor do que o esperado. Em audiência de conciliação realizada na Vara do Trabalho de Goiás nesta quinta-feira, 20/2, além do acordo firmado para o pagamento de débitos trabalhistas, o patrão garantiu que vai manter o trabalhador no emprego até ele se aposentar. A audiência se encerrou com um abraço de reconciliação. Para a juíza que acompanhou a audiência e homologou o acordo, Andressa Kalliny Carvalho, fatos como este demonstram o empoderamento das partes na solução dos conflitos e a importância da conciliação como ferramenta para solucionar litígios e restaurar a relação afetiva e social entre as partes.

A magistrada conta que a primeira audiência aconteceu no dia 5 de fevereiro e foi infrutífera. Já nessa segunda audiência, que foi uma audiência Una, ou seja, de conciliação e instrução, os advogados informaram que as partes já haviam conversado e chegado a um consenso para uma proposta de acordo.

O trabalhador explicou que o acordo foi fruto de uma conversa franca e pacífica com o proprietário da empresa antes da audiência. “Em razão da amizade existente, foi possível conciliar e permanecer com o vínculo de emprego ativo”, afirmou ele satisfeito com a proposta. O patrão, por sua vez, também pediu para registrar sua satisfação na ata de audiência. Ele disse que, além de privilegiar a permanência do vínculo de emprego, foi mantida a relação de amizade com o trabalhador, que atua na empresa como vigilante há quase 15 anos.

Conforme o acordo, a dívida trabalhista, que se referia a horas extras, reflexos e indenização, será paga em três parcelas consecutivas. Mas o que mais chamou a atenção é que o empregador, além de reajustar o salário do empregado, garantiu que manterá o vínculo com ele, pelo menos, até sua aposentadoria, se abstendo de realizar dispensa sem justa causa.

A juíza Andressa Kalliny explicou que essas garantias dadas pelo empregador não são decorrentes de nenhuma lei, mas de um ajuste para que as partes consigam dar continuidade à relação de emprego existente há muitos anos de forma cordial para ambos. “Acreditamos efetivamente que empoderar as partes para a solução pacífica do conflito permite a tomada de consciência para a promoção da mudança que queremos ver”, afirmou a magistrada, ressaltando ainda a importância da participação dos advogados para solucionar os conflitos da melhor forma possível.

Estudos realizados pelos adeptos do Direito Sistêmico concluiu que muitos acordos, nos mais diversos litígios, não são realizados, não pela vontade das partes, mas de alguns advogados, que não devidamente preparados psicologicamente e não conscientes do seu relevante papel nas conciliações, levam para o processo suas convicções pessoas, suas experiências de vida e não a verdadeira vontade do seu constituinte.

Cabe ao advogado ao receber e entrevistar seu cliente, sempre ouvir primeiro qual é o sentimento de seu cliente, ouvir com um olhar sistêmico, entender o verdadeiro anseio desse que vem procurar seu atendimento profissional. Jamais, sem antes ouvir atentamente a pessoa, vir com sua receita pronta. Esse novo olhar, esse respeito ao que o cliente tem para falar e reivindicar é imprescindível para o profissional de hoje, para exercermos efetivamente nosso grandioso papel de advogado.

Fonte: Setor de Imprensa – TRT-18.