Feitiços

Augusto Comte ensinava que o homem religioso, analogamente aos seus antepassados dos períodos primevos, prende-se a múltiplos feitiços, pela necessidade

Augusto Comte ensinava que o homem religioso, analogamente aos seus antepassados dos períodos primevos, prende-se a múltiplos feitiços, pela necessidade de uma fé materializada, sendo a religião uma crendice que o escraviza e amesquinha.

E na atualidade não faltam aqueles que afirmam, estribados em grosseiro materialismo, que a “religião é o ópio para a massa”.

Examinando a questão, somos de acordo que a ignorância engendrou, desde épocas mui recuadas, pequenos feitiços para reter em suas malhas quantos não dispunham de lucidez espiritual para elucidar os problemas da fé em suas variadas manifestações…

Nessa época primeira da luta, entre o instinto que cede lugar à inteligência que se afirma, as manifestações dos mortos ensejavam falsas concepções sobre a vida de além-túmulo. E os viandantes da imortalidade imanados às formas grosseiras da matéria compraziam-se em exigir banquetes de sangue e gozo, lecionando exorcismos e práticas compatíveis ao próprio estado evolutivo em se demoravam.

Desde então, as práticas de Goécia (Goetia, magia evocatória, atribuída ao Rei Salomão) se desenvolveram, avançando através das gerações para, na Idade Média, serem reprimidas a ferro e fogo, em hediondas quanto brutais mancomunações.

Ainda agora ligados aos processos, da ignorância tradicional muitos espíritos se deixam dominar por fórmulas e patuás ineficientes, cultivando superstições e carregando amuletos inócuos, mentalizados com a finalidade de conseguir libertação que os defenda de todos os males…

Com o Espiritismo rasgaram-se os véus do ocultismo e uma luz mais clara se projetou sobre mentes e corações para ajudar o espírito humano em sua ascese imortalista.

Tabus, amuletos, feitiços, superstições, ignorância em torno dos magnos problemas da vida foram superados e a doutrina da razão esclarecida, oferecendo vasto patrimônio intelectual, elucida as inquietantes indagações de após-a-morte, representando os conceitos morais do Evangelho de maneira compatível com o “bom-senso” de modo a atender as exigências do pensamento moderno…

Exaltando a Doutrina do Cristo e difundindo-a, o Espiritismo conduz o homem sem peias dogmáticas nem negociações com encarnados ou desencarnados, a fim de que reorganize o domicílio mental e, livre de qualquer limitação, estabeleça o primado do Espírito, na materialização dos elevados princípios do amor.

Supera receios e aclara dúvidas, liberta-te de qualquer feitiço de crença avoenga e embrionária, arrebenta os amuletos mentais da superstição e faze luz no íntimo, alçando o pensamento e o coração ao Amor de Nosso Pai, trabalhando sem repouso, mesmo que, aflito, não sintas a alegria do serviço recordando Jesus que, logo após a Crucificação, retornou à estrada de Emaús para elucidar Cléofas e o companheiro, testificando a glória imortal acima de todas as misérias humanas…

Livro: DIMENSÕES DA VERDADE. Joanna de Ângelis (Espírito), psicografia de Divaldo Pereira Franco. Livraria Espírita Alvorada Editora. 2ª ed. Salvador. BA. 1977. Pág. 174.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza. Sociedade Espírita Amor e Conhecimento, Guaraniaçu – PR.

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