Jesus e tormentos

Genericamente, o homem tem sido considerado como a massa física e mental, ainda incompleta, que demanda o túmulo e ali

Genericamente, o homem tem sido considerado como a massa física e mental, ainda incompleta, que demanda o túmulo e ali se consome.

                As religiões reportam-se à alma com um destino adrede fixado para o futuro, repousando na ociosidade ou padecendo na punição intérmina.

                O mundo é, para os primeiro, um lugar de prazeres imediatos com a inevitável presença do sofrimento, que faz parte da sua imperfeição; para os segundo, é “vale de lágrimas” ou “lugar de degredo”.

                De um lado, a simplista informação do nada após a morte; do outro, a fatalidade preestabelecida, violando os códigos do querer, do lutar, do vencer.

                Uma e outra corrente de pensamento conduz, invevitavelmente, aos tormentos.

                Aqui, o gozo até a lassidão dos sentidos, e ali, a amargura frustrante, a castração da alegria em mecanismos de evasão da realidade.

                Fundamentados nessas propostas, surgem aqueles que vivem para fruir e os que se recusam à satisfação.

                Jesus foi o protótipo da felicidade.

                Amava a Natureza, os homens, os labores simples com os quais feceu as Suas maravilhosas parábolas.

                Não condenava as condições terrenas, não as exaltava.

                Na posição de Mestre ensinava como se devia utilizá-las, respeitando-as, com elas gerando alegria entre todos, abençoando-as.               Como Médico das almas propunha vivê-las sem pertencer-lhes, assinalando metas mais elevadas, que deveriam ser consquistadas com esforço pessoal.

                Os tormentos humanos procedem da consciência de culpa de cada criatura.

                Originário de outras existências corporais, o Espírito herda as suas ações, que ressurgem em forma de efeitos. Quando aquelas foram saudáveis, estes se lhe fazem benfazejos. O inverso é, igualmente, verdadeiro.

                Dos profundos arcanos da individualidade surgem as matrizes das aflições que se lhe estabelecerão no ser como processos depuradores, facilitando a instalação das enfermidades, dos tormentos, das insatisfações.

                Da mesma forma, crian-se-lhe as condições favoráveis para a existência, fácil ou árgua, no lar caracterizado por problemas  sócio-econômico-morais, ou enriquecido de amor e recursos que lhe favorecem a jornada.

                No ser profundo, imortal, encontram-se as raízes dos fenômenos que agora lhe repontam sobre o solo da organização carnal.

                Os teus tormentos atuais são tormentos que engendraste em existências passadas.

                Atormentaste com impiedade e agora sofres sem conforto.

                Afligiste sem misericórdia e ora padeces sem afeição.

                Inquietaste com perversidade e hoje te perturbas sem consolo.

                O teu íntimo é um caldeirão fervente. Os conflitos se sucedem e sais de um para outro desespero.

                Tens dificuldade em exteriozá-los, verbalizá-los, aliviando-te.

                Fobias, complexos, recalques dominam-te a paisagem mental e te sentes um fracassado.

                Retempera o ânimo, porém, e sai do refúgio dos teus tormentos para a luz clara da razão.

                Ninguém está, na Terra, fadado ao sofrimento, aos conflitos destruidores.

                Todos retornam ao mundo para aprender, recuperar-se, reconstruir.

                Na ausência do amor-ação, aparece-lhes a dor-renovação. Assim, dispõe-te à paz e à libertação dos tormentos e lograrás alcançá-las.

                No inolvidável encontro de Jesus com a mulhar de vida libertina, que Lhe lavou os pés com unguento de lágrimas, enxugando-os com os seus cabelos, temos a psicoterapia para todos os tormentos.

                Disse Ele ao anfitrião que o censurava mentalmente  por aceitar a atitude da pobre atormentada: “Ela muito amou, e, por isso, os seus pecados lhe serão perdoados.” Fitando-a com ternura e afeição, recomendou-lhe: “Vai-te em paz, a tua fé te salvou.”

                O amor que se converte em reparação de erros é a eficiente medicação moral para todas as chagas do corpo, da mente e da alma.

                Ama e tranquiliza-te, deixando os teus tormentos no passado, e, ressuscitando dos escombros, ressurge, feliz, para a  reconstrução sadia da tua vida.

Livro: JESUS E ATUALIDADE. Joanna de Ângelis (Espírito), psicografia Divaldo Pereira Franco. Editora Pensamento-Cutrix Ltda. 1ª Ed. – São Paulo – SP. 1ª Ed. 1989. 12ª Reimpressão 2012. Páginas 83-87.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza, CEAC Guaraniaçu – PR. [email protected]

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