PSICOMETRIA, TELESTESIA – SONAMBULISMO

(Ide a esse povoado que está diante de vós e, achareis um jumentinho amarrado no qual ninguém ainda montou.” –

(Ide a esse povoado que está diante de vós e, achareis um jumentinho amarrado no qual ninguém ainda montou.” – Marcos Cap. 11 . “Em Verdade vos digo que aquele que crê em mim, fará as obras que eu faço e, até maiores do que estas.” – João 14:12.)

XI Caso – Nesta exposição começarei ainda pelo sonâmbulo Aléxis Didier, cujas experiências de lucidez constituem um repositório de fatos diversíssimos, tanto quanto altamente instrutivos e significativos.
Conta-nos Henri Delaage o seguinte:
“O Sr. Vivant, antigo negociante residente à rua Vitória nº 14, foi à casa do magnetizador Marcillet, para ali consultar o sonâmbulo Aléxis.
− Poderia você dizer-me, Aléxis, o motivo da minha visita?
−Trata-se de uma perda que o senhor supõe ter sofrido.
− Efetivamente! E poderia dizer-me a natureza dessa perda?
− Trata-se de 4 notas de 1.000 francos cada uma, que o senhor guardou e não encontra em sua secretária (móvel de escritório).
− É exato.
− Dê-me a sua carteira, pois uma vez que essas notas nela estiveram algum tempo, ser-me-á mais fácil reencontrá-las, tateando a carteira.

De posse da carteira, disse-lhe o sonâmbulo que os 4.000 francos em causa lhe provieram de um amigo que lhos confiara para a compra de títulos de renda, o que também era verdade. Em seguida, descreveu o domicílio do interlocutor, chegando até a dizer-lhe o nome e o endereço.

Maravilhado de tanta lucidez, pediu-lhe o Sr. Vivant que prosseguisse.
− Bem que o desejo, respondeu-lhe Aléxis, mas, com a condição de retirar a queixa que deu ao comissariado da Polícia, queixa que asseguro, antes lhe cabe ao senhor mesmo, de vez que as notas não voaram lá da sua secretária!
De regresso a casa, o Sr. Vivant revolveu todos os papéis e os arrumou de novo, um por um, sem que aparecessem os 4.000 francos. Novamente procurou o sonâmbulo e este mostrou-se admirado do insucesso, chegando a acusá-lo de não haver suficientemente procurado. Mas, de repente, reflete e diz: − espere um pouco… eu pensava que o senhor poderia ver como eu vejo, mas, isto não pode ser… Sua secretária (móvel de escritório), como sabe, é um móvel muito antigo, no qual, com o tempo, se formaram algumas fendas (frestas), é em uma dessas fendas que estão as notas. Volte, procure em todas as fendas e de antemão lhe garanto o resultado.

Embora as novas indicações de Aléxis lhe parecessem pouco concludentes, o Sr. Vivant não deixou de esquadrinhar minuciosamente a secretária, reconhecendo que a madeira havia rachado em várias partes. Munido, então, de um arame, sondou todas as frestas e acabou retirando de uma delas as suas 4e notas de 1.000 francos…” (Henri Dellage: “O sono magnético explicado pelo sonâmbulo Aléxis, pág. 154).

Neste primeiro exemplo, o único incidente militante em prol da telestesia é, naturalmente, o da visão por parte do sonâmbulo, do esconderijo anormal em que caíram as notas e cuja existência ninguém, inclusive o Sr. Vivant, conhecia.
Parece-nos, assim, impossível contestar a origem telestésica do fato.

Do ponto de vista teórico, notarei uma frase do Aléxis bem significativa.
Diz ele ao consulente: “dê-me a carteira que aí tem, visto que, tendo ela guardado as notas por algum tempo, ser-me-á mais fácil, tateando-a, encontrar as notas.”

É, como vemos , uma incursão no verdadeiro e legítimo campo da psicometria.

Seria preciso inferir daí que os fenômenos de telestesia se produzem mercê do “estabelecimento de uma relação” da subconsciência do sensitivo com o objeto distante, da mesma forma que os fenômenos de psicometria se produzem mediante o “estabelecimento de uma relação” da subconsciência do sensitivo com a do indivíduo distante, dono do objeto psicometrado.
Nesta última circunstância, tratar-se-ia, por conseguinte, da leitura do pensamento do subconsciente a distância; ao passo que na primeira haveria percepção direta do próprio objeto, o que não significa, contudo, que essa percepção se produza sob a forma de visão direta, por intermédio dos centros óticos, visto que, como já o dissemos, tudo contribui para demonstrar que as visualizações, tais como se apresentam ao sensitivo, parece não passarem de imagens “pictográficas” de natureza aclarativa e transmitidas pelo Eu subconsciente ao consciente.