E se…

Certamente tivemos, em algum momento, em nossas vidas, o desejo de que as pessoas se comportassem de maneira diferente para conosco.

Possivelmente, já aconteceu de nos incomodarmos com a maneira de alguém agir, ou com os valores e princípios que defende.

Constantemente, avaliamos os outros e nos deixamos afetar, pelas posturas que apresentam.

É comum no trânsito, no supermercado, na reunião familiar ou no trabalho, nos desgostarmos com as pessoas.

Por um motivo ou outro são com esses que demonstramos a nossa impaciência, agimos de forma impulsiva ou até de maneira grosseira e pouco amigável.

É verdade que nos relacionarmos em sociedade sempre é um grande desafio.

Atitudes de colegas, familiares ou conhecidos nos colocam, muitas vezes, nos limites da nossa estrutura emocional.

E nossos desejos se manifestam com frases como Queria que Fulano fosse assim, ou Gostaria que Beltrano mudasse sua maneira de agir.

E vamos fomentando ideias que nunca estão ao nosso alcance, porque o que desejamos é a mudança do outro.

Dificilmente nos pomos a pensar que, eventualmente, o outro apreciaria que alterássemos as nossas atitudes, que o ferem, que o machucam.

Que tal se, ao invés de avaliarmos alguém pela sua aparência, pela sua roupa, cabelo ou pelo vocabulário que usa, buscássemos conhecê-lo melhor?

Saber da sua história de vida, dificuldades e lutas que vem enfrentando. Afinal, ninguém está isento delas.

E se, ao invés de julgarmos as pessoas, seu comportamento, suas opções e escolhas de vida, buscássemos compreendê-las um pouco mais?

Entender que cada um busca ser feliz à sua maneira, mesmo que tenha que percorrer longos caminhos para tanto. Isso porque todos estamos palmilhando uma estrada de aprendizado.

E se oferecêssemos ao outro a antítese, isto é, o contrário daquilo que não gostamos nele ou que nos agride?

Poderíamos oferecer a nossa paciência ao exaltado, dando-lhe a oportunidade de receber compreensão, atenção e cuidado que, muitas vezes, a vida não lhe oportunizou.

Para o grosseiro, retribuir com educação, mostrando outras possibilidades de relacionamento, pautadas no respeito e consideração.

Talvez a falta de trato social seja apenas ausência de oportunidade de aprender outras maneiras de se relacionar.

Ao bruto ofertar a gentileza, dando-lhe ensejo de provar a doçura e leveza que podem nascer a partir de pequenos gestos.

Por vezes, a brutalidade que se apresenta no dia a dia não lhe permite acreditar que é possível ter um tanto de suavidade na vida.

Para aquele com posicionamentos opostos aos nossos podemos construir uma ponte de empatia.

Tenhamos em mente que ninguém é obrigado a pensar como nós, e que cada um é fruto de seus esforços, de sua história e de suas opções.

Enfim, são muitas as oportunidades que aqueles que cruzam nossos caminhos nos ofertam para sermos melhores.

Busquemos neles, esses professores que a vida nos oferece, a chance de construir em nós virtudes que permanecem latentes.

Nesse esforço, estaremos contribuindo para uma sociedade pautada em elevados valores de amor e generosidade.