Papillon, o homem que fugiu do inferno!

Desde minha adolescência ouço comentários elogiosos acerca de um livro, o qual, à época não pude comprar devido minha humilde

Desde minha adolescência ouço comentários elogiosos acerca de um livro, o qual, à época não pude comprar devido minha humilde condição financeira. Naqueles tempos, tive até um pedido de empréstimo do referido livro negado. Hoje compreendo essa pessoa, pois, aprendi que nem todo mundo tem zelo e devolve o que lhe é emprestado. Dessa forma, tenho ciúmes de meus livros que ao longo da vida vou conquistando e trato-os como tesouros que devem ficar protegidos no local mais seguro para eles, as minhas mãos. O livro em questão é Papillon, o homem que fugiu do inferno de Henri Charrière. O ano de seu lançamento foi 1969. Somente na França o livro alcançou uma tiragem de 1,5 milhões de exemplares. Traduzido para vinte e um idiomas a sua tiragem chegou à marca de 14 milhões de exemplares. A obra foi adaptada para o cinema e rendeu mais algum dinheiro para seu autor. Na telona, os papéis principais couberam a Steve Mcqueen (Charrière) e Dustin Hoffman no papel de seu grande amigo (Louis Degas). Em 2018, um remake do filme foi levado novamente às telonas. Segundo a crítica, o novo filme não tem o brilhantismo do elenco original, nem por isso decepciona. No ano passado, lembrei-me do livro que tanto desejei ler e comprei-o. Apesar disso, devido estar focado em uma nova especialização que ditava as leituras que deveria fazer, adiei sua leitura, algo que só agora concluo, com grande satisfação. A espera foi recompensada! Agora pretendo assistir o filme.

            O título Papillon, deve-se ao apelido de Henri Charrière que dentre outras tatuagens possuía uma borboleta (papillon em francês) no peito. Charrière após retirar-se do serviço militar entrou para o mundo do crime e especializou-se em arrombamento de cofres. Conheceu várias pessoas do submundo do crime. Foi preso pelo assassinado de uma pessoa. Autoria essa que negava e afirmava ter sido uma armação para incriminá-lo. Levado a julgamento teve contra si um promotor que se vangloriava de jamais perder causas e de ser muito duro para com os criminosos. Condenado à prisão perpétua em regime de trabalhos forçados em um presídio na colônia francesa localizada na América do Sul (Guiana Francesa). A pena foi considerada por muitos, como exagerada. O envio de condenados à Guiana Francesa era naqueles tempos praticamente uma condenação à morte, pois, grassavam inúmeras moléstias, dentre elas, a febre amarela, a malária, etc. O autor nascido em 1906, condenado aos 25 anos de idade, passou 11 anos preso sempre focado em fugir e se vingar daqueles que o condenaram ao caminho da podridão (seu encarceramento).

Na obra, o autor discorre sobre a forma como os prisioneiros se relacionam dentro das celas, a promiscuidade e a violência que muitas vezes termina em assassinatos quase sempre insolúveis, pois, nas celas vigora o código do silêncio.  A narrativa tem seu ponto principal nas estratégias desenvolvidas por Papillon em seu desejo de fugir dos presídios das ilhas localizadas no mar territorial da Guiana Francesa, para onde eram levados os criminosos mais perigosos e que resultaram nas jornadas épicas em fugas espetaculares por terra e, principalmente por mar, com grande sacrifício físico e mental dos envolvidos levando-os à Colômbia, à Guiana Inglesa e à Venezuela (uma passagem curiosa se dá quando em fuga é aceito por uma tribo indígena, na qual passa a viver, e para tal, precisa se adaptar aos costumes desta). Quando enfim conquista definitivamente a liberdade, desiste de seu propósito de vingança cultivado durante todos os anos de encarceramento. Famoso por causa de seu livro que virou Best-Seller mundial voltou à Paris como convidado para dar uma conferência na qual participaram juristas, intelectuais, artistas e políticos e em sua homenagem foi realizada a noite da borboleta em Paris. Charrière faleceu em 1973 aos 67 anos de idade.

P.S. É importante que se diga que a obra não é um registro fiel dos acontecimentos, pois, Charrière, sempre possuiu grande talento para contar contos. O próprio autor disse que em alguns momentos deixou-se levar pela imaginação. Recomendo fortemente a leitura!

Sugestão de boa leitura:

Papillon: o homem que fugiu do inferno. Henri Charrière.

Editora Bertrand Brasil, 2014. 3ª edição, 728 p.

Preço: R$32,90

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