Como anda a segurança no Brasil?

Estudo mostra que os homicídios cresceram assustadoramente na última década, período em que se investiu em polícia, como quer a

Estudo mostra que os homicídios cresceram assustadoramente na última década, período em que se investiu em polícia, como quer a direita, e em distribuição de renda, como prega a esquerda. A nossa tragédia diária nos últimos anos atingiu números antes inimagináveis diz o estudo. Todo santo dia, os órgãos de imprensa estão recheados de más notícias. Exemplo: Apenas em três semanas são assassinadas no Brasil mais pessoas que o total de mortos em todos os ataques terroristas no mundo nos cinco primeiros meses de 2017. O Brasil já teve como desafio maior vencer a hiperinflação, que chegou a ser a mais alta do mundo, corroia o país e crescia fora do controle. Foi preciso uma década para derrotá-la. Vários planos econômicos fracassaram até a criação do Real, em 1994, no governo Itamar Franco. Atualmente, ao menor suspiro e sinal inflacionário, as autoridades acionam os mecanismos necessários para contê-lo. Para saber mais sobre o estrago que a inflação nos causou, felizmente só recorrendo aos livros de história econômica. Já passa da hora de, observando a descabida escalada dos assassinatos, combatermos o que já pode ser chamado de hipercriminalidade, que cresce fora de controle e também corrói o país. A diferença é que a hiperinflação mata a economia, a hipercriminalidade, as pessoas, os cidadãos. Como aceitar de maneira passiva que o Brasil, com 2,7% da população do planeta, pratique 10% dos homicídios mundiais? Como aceitar que a taxa média de homicídios do mundo é de seis mortes por 100.000 habitantes e a nossa, de 28,9? Como aceitar que nossos governantes enganem os cidadãos gastando rios de dinheiro, abrindo delegacias e inaugurando penitenciárias, se nada disso derruba a matança, que sobem em vez de cair? Entre 2005 e 2015, período em que a população brasileira subiu 12%, o número anual de assassinatos aumentou 22%. Os homicídios cresceram em 22 das 27 unidades federativas. Em dez delas, a elevação foi superior a 100%. No caso do Rio Grande do Norte, foi de 280%. Fortaleza, a capital onde mais se mata no Brasil, já rivaliza com a de El Salvador, o secundo país mais violento da América Latina. O mais violento é Honduras. Aqui no Brasil, se mata em situações diversas: para ajustar contas, para cobrar dívida, para assaltar, para dar uma lição no rapaz que mexeu com a namorada. Para mostrar quem manda, para deixar claro quem já não manda. Mata-se na entrada do estádio de futebol, na saída do bar, à caminho de casa. Na favela, no prédio, no presídio, na escola, em casa, no trabalho e, na saída de banco. Matamos com revólver, com faca, queimamos, degolamos. Matamos criminosos, suspeitos e inocentes. Matamos policiais em serviço, policiais de folga, bombeiros. Matamos a mulher, o marido, os pais, vizinhos, sócios, a criança. O ativista, o ambientalista, o índio, o posseiro, o fazendeiro, o sem-terra, o sem-teto, o morador de rua, o religioso, o radialista, o gay. O Atlas da Violência 2017 aponta, no entanto, para a existência de um alvo recorrente: o negro. De acordo com o IBGE, os negros são aproximadamente metade da população – 53%, para ser exato. Seria de se esperar que a proporção se reproduzisse entre as vítimas de homicídio. Mas não. Em cada dez óbitos, em vez de esperados cinco brancos e cinco negros apareceram três brancos e sete negros. Outra vítima que sempre aparece é a jovem com idade de 15 a 29 anos. Em relação aos jovens, a perda de vidas humanas e, do outro, a falta de oportunidades educacionais e laborais que condenam os jovens a uma vida de restrição e de anomalia social terminando por impulsionar a criminalidade violenta. A direita gosta de dizer que se combate o crime com mais policia na rua, e a esquerda, com mais distribuição de renda. As duas coisas foram feitas no Brasil na última década e não derrubaram as taxas. Muito pelo contrário…

(Os dados são de: Veja)