Em defesa de Evo (Parte Um)

Sabem quem foi Marco Aurélio Garcia, um professor universitário que dividia informalmente o comando do Itamarati? O que ele andou

Sabem quem foi Marco Aurélio Garcia, um professor universitário que dividia informalmente o comando do Itamarati? O que ele andou dizendo, privadamente, sobre as ações tresloucadas de Evo Morales contra os interesses brasileiros?

“A Petrobras já ganhou dinheiro demais na Bolívia.” Traição à Pátria? Pode ser. Traição aos milhares de acionistas da Petrobras? Com certeza. Garcia era esquerdista de carteirona. Já é falecido.

Vamos voltar ao ano de 2006, quando o Brasil levou um chute no traseiro dado por Hugo Chávez e seu santo Che boliviano, Evo Morales. Antes, foram ambos a Cuba pedir a benção do patriarca Fidel Castro para o que planejavam fazer. Nenhum desses “companheirismo” se deu à delicadeza de avisar o ocupante do Palácio do Planalto, que se julgava um líder regional com estofa até para ser líder mundial. Pobre Lula. Foi o último a saber que o presidente Morales iria se apossar de propriedade brasileiras na Bolívia e coloca em risco o abastecimento nacional de gás natural.

A reação do presidente Lula foi ainda mais constrangedora: engoliu o desaforo e ainda se solidarizou com o agressor, a Bolívia.

Para ampliar o efeito pirotécnico, Evo Morales escolheu o Dia do Trabalho, 100º de sua posse na presidência e, naquele 1º de maio de 2006 comandou pessoalmente as tropas que tomaram a refinaria da Petrobras em Sán Alberto, o maior campo de extração de gás natural da Bolívia. Lá de capacete de petroleiro na cabeça, o presidente leu os novos pontos do “Decreto Supremo” que passou para o controle do Estado boliviano toda indústria de gás e petróleo. O documento não fala em indenizar as empresas estatizadas. As vinte companhias estrangeiras atingidas pelo decreto investiram, ao todo, 4,5 bilhões de dólares na Bolívia – Mas o prejuízo maior é o da Petrobras, que aplicou 1bilhão e meio de dólares na extração e refino e outros 2 bilhões de dólares na construção do gasoduto que leva o produto até São Paulo. A intenção de nacionalizar as riquezas do subsolo era uma promessa de campanha de Morales e foi preparada nos bastidores com a ajuda de um pelotão de técnicos e advogados venezuelanos enviados por Chávez. Apesar de todos esses indícios prévios, o governo brasileiro foi pego de surpresa e se apressou em declarar que a Bolívia tem direito às riquezas de seu subsolo. Isso é inegável. A soberania permanente de um país sobre seus recursos naturais é reconhecida pela ONU desde 1962. O ponto é que Morales expropriou ativos que pertencem ao povo brasileiro e rasgou, como se não valessem nada, tratados negociados de Estado para Estado nos últimos trinta anos. A ocupação de modo hostil, com o uso de tropas e sem conversações prévias, contraria o estabelecido no direito internacional e também as regras mínimas de convivência entre dois países que tradicionalmente são bons vizinhos.

O próximo passo, logo avisou o governo boliviano, é aumentar os preços do gás natural fornecido ao Brasil. A ameaça é tremenda e pode se transformar num beco sem saída se o governo não negociar com firmeza. Com o aumento do preço do produto, o prejuízo ultrapassaria as perdas diretas da Petrobras e atingiria diretamente a indústria paulista que antes foi incentivada a investir no uso de gás natural como fonte energética. O produto extraído na Bolívia responde por metade do consumo brasileiro e a reconversão das fábricas ou a descoberta de fontes alternativas podem levar anos. Nem assim Lula reagiu. O governo deveria ter saído imediatamente na defesa dos interesses nacionais e, depois de anunciar a determinação de defender os interesses nacionais, deveria questionar a quebra de contrato e avisar que pediria indenização pela expropriação. Lula não fez nada disso.