Investir nos jovens

O Brasil era um país de jovens. Era, não é mais. O controle da natalidade e a opção por um

O Brasil era um país de jovens. Era, não é mais. O controle da natalidade e a opção por um ou dois filhos, quando não a opção por não ter filhos, fez com que a população brasileira mudasse sua característica, diminuindo o número de jovens e, vendo crescer a cada ano o número de idosos, uma consequência do grande número de jovens nos séculos anteriores. Faz já alguns anos, no aeroporto de Lisboa, Portugal, uma atendente, controlando os passageiros, informou que era uma fila única para o embarque porque todos eram idosos. Atualmente, Portugal está recebendo grande número de jovens brasileiros, incentivados a irem para lá porque seus dirigentes sentiram a lacuna existente e a necessidade de preenchê-la para assegurar o futuro do país.

 Cabe a pergunta: o que o Brasil está fazendo para não perder estes jovens e fazer com que a juventude seja preparada para assumir o destino do país? E a infância, como está tendo assegurado o seu desenvolvimento e a garantia de que receberá tudo o que necessita para chegar a idade adulta com plenas condições físicas e morais para desenvolver sua cidadania plena e consciente?

 O americano James Heckmann, que recebeu em 2019 o prêmio Nobel de Economia, declarou, em entrevista concedida a uma revista nacional: Crianças pequenas respondem rápido aos estímulos de qualidade. Heckmann acredita que, até oito anos, a criança pode desenvolver suas capacidades que serão alimentadas no futuro de acordo com seus interesses específicos em uma ou outra área de conhecimento. O que o Brasil tem feito por suas crianças? Muitas escolas não respondem às necessidades mínimas das crianças brasileiras. As escolas existentes, especialmente as do interior, com poucas condições de pleno funcionamento, distantes das habitações destes jovens que andam quilômetros a pé, às vezes a cavalo, ou, em precárias condições de veículos automotores. Algumas vezes, sem condições de oferecer uma merenda a seus alunos que não querem continuar a frequentar as aulas. Professores despreparados e, geralmente, mal remunerados, que não estimulam seus alunos e fazem greves, nem sempre necessárias, para reivindicar salários. Terão estes alunos vontade em seguir nesta difícil trajetória? Terão condições de desenvolver suas capacidades inatas? Que futuro aguarda estas crianças brasileiras? Sem perspectivas de um futuro promissor, nossas crianças vão chegar à adolescência e a idade adulta desestimuladas e, muitas vezes, conquistadas pelos traficantes, passam a seguir o caminho da contravenção e do crime. É urgente uma tomada de posição pelo poder público e por toda a sociedade para que o país reaja, corrija a sua trajetória política e passe a se preocupar com a infância e a juventude do nosso país. Eles são o amanhã político e social da nação e definirão se seremos um País do Futuro, como previu Stefan Zweig, ou um país que se arrasta e se afoga em seus problemas…

 Quando você perceber…

 Quando você perceber que, para produzir precisa obter a autorização de quem não produz nada;

 Quando perceber que o dinheiro vai para quem negocia não com bens, mas com favores;

 Quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influências, mais que pelo trabalho e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você pelas leis;

 Quando perceber que a corrupção é recompensada e a honestidade se converte em auto-sacrifício;

 Então poderá afirmar, sem temer errar, que sua sociedade está codenada.

 

(Ayn Rand, filósofa americana em 1920)