O PÚBLICO BRASILEIRO E A MÍDIA

A diminuição do público interessado em acompanhar o que diz a mídia, sobre a campanha dos políticos, ficou  muito claro

A diminuição do público interessado em acompanhar o que diz a mídia, sobre a campanha dos políticos, ficou  muito claro nas últimas eleições. Provavelmente não tinha havido até esta última campanha eleitoral uma oportunidade tão clara de medir o tamanho da distância que separa hoje o que a imprensa imprime ou põe no ar daquilo que existe nas mentes e nos sentimentos da audiência. A mídia diz uma coisa. O público o contrário. A mídia anuncia que vão acontecer os fatos A, B e C. Não acontece nenhum dos três. Para que ficar tentando esconder a realidade? O que acaba de acontecer nas eleições de 28 de outubro de 2018, foi o maior fiasco que os meios de comunicação brasileiros já viveram em sua história recente. “É melhor admitir que alguma coisa deu errada, e averiguar quais falhas foram cometidas?” comenta um jornalista idoso, e experiente. Porque a mídia ignorou a lista de reivindicações, de mudanças claríssimas que a maioria dos brasileiros estava apresentando aos candidatos? Porque não tentou, em nenhum momento, entender porque um número cada vez maior de eleitores se inclinava a votar em Jair Bolsonaro? Ou Bolzonaro em italiano? Durante meses seguidos, os comunicadores brasileiros tentaram provar nos noticiários que coisas trágicas iriam acontecer para todos, se Bolsonaro ganhasse as eleições. No entanto nunca pensaram na possibilidade de que milhões de brasileiros estivessem achando que essas coisas trágicas, justamente essas, eram as que consideravam as mais certas para o país. A mídia convenceu a si própria de que não estava em cobertura jornalística, e sim, numa luta do bem contra o mal. Em vez de só cobrir, passou a torcer e a trabalhar por um lado da campanha, convencida de saber tudo. Teve como resultado, em que disputou uma eleição contra Jair Bolsonaro e perdeu com uma diferença de mais de 10 milhões de votos. Não é função dos órgãos de comunicação disputar eleições, muito menos perder. Já que decidiram fazer as coisas erradas, voltando o seu trabalho a favor de um lado contra o outro, deveriam pelo menos, evitar o papelão de acabar surrados pelo candidato que declararam “inimigo” e por seus quase 58 milhões de eleitores. Isso em português claro, significa que você está falando, mas ninguém esta ouvindo o que você diz ou ouvindo tão pouco  que não faz diferença nenhuma. “No caso de Bolsonaro, a credibilidade da mídia foi para o espaço” diz JR Guzzo. Como passar seis meses ou mais, fazendo uma operação contínua contra o candidato menos equipado materialmente pata disputar a campanha eleitoral e contatar, no dia da apuração, que todo esse esforço não resultou em nada? A conclusão é que o público está pouco ligando para o que a mídia lhe diz. “A partir daí, ela se torna irrelevante na vida real. Fica como arquibancada em jogo de futebol: xinga o juiz de ladrão e o técnico de burro, mas não altera em nada o resultado do placar” conclui Guzzo. Inventou-se como estratégia, desde o começo, que o ex-presidente Lula era candidato à Presidência da República em 2018 e não apenas isso, a mídia garantia que ele era o favorito disparado para ganhar. Foi uma falsificação integral. Lula não podia ser candidato. Condenado a mais de doze anos de cadeia em duas instâncias da justiça brasileira. Resta torcer para que o presidente eleito faça  as coisas certas, e seus filhos não atrapalhem.