Pensar na morte deveria ser natural

Alguém com 70 ou 80 anos, um pouco mais ou um pouco menos, se não pensasse na morte seria um

Alguém com 70 ou 80 anos, um pouco mais ou um pouco menos, se não pensasse na morte seria um alienado. E não se trata de hipocondria ou pensamento compulsivo obsessivo! Entre a psicopatia e a alienação existe a normalidade.

Penso na morte de uma maneira muito pragmática. Tenho 78 anos. Se, numa projeção, viverei até 90, sobram 12 de minha existência. Se chegar aos 105 – Tomara! – ainda tenho 27. Isso para mim é uma forma de pensamento saudável. Mas também não me preocupo demais porque acredito que Deus existe. Que a eternidade existe. Por que então, contar os anos daqui se tenho uma eternidade pela frente?

Nunca encontrei um ateu no leito de morte , afirmou Fernando Lucchese. Acho que não existe verdadeiro ateu quando está para morrer. Mas também não quero acreditar em Deus somente na hora do perigo de morte. Claro que pode bater o medo. Tenho que acreditar com lucidez e raciocínio e não irracionalmente.

Mas há os que, ao receber um diagnóstico de dois ou três meses de vida dizem agora irei acreditar, agora vou rezar! Menos mal. Mas não é o que eu quero. Como cristãos, temos o privilégio de melhor administrar essa situação da morte e de estresse. O que talvez seja difícil para um materialista ou quem não acredita em nada.

Temos pensamentos filosóficos, mentais e espirituais. Claro que há a questão de nosso físico: idade e morte desembocam uma na outra. Mas não devemos temer porque temos nosso Deus – embora imaginado e representado segundo nossos parâmetros humanos com seus diferentes modelos de acordo com as diversas cultural e civilizações. A morte – assim como a vida – é algo inexplicável. Por que tudo isso? Porque temos fé e isso ajuda a enfrentar a questão.

Quem nunca teve dúvidas? Santo Agostinho duvidou no século IV. São João da Cruz teve sua noite escura. Mas nunca se desesperaram.

A gente poderia perguntar: como alguém, que não tem fé, lida com a expectativa de sua morte? Como elabora a partida definitiva dos seus entes queridos e dos que conviveram com ele? Se não acredita em vida após a morte, por que conserva imagens, fotografias, mensagens, textos dos que partiram? Ou até fala sozinho, como se estivesse dialogando com quem já foi?

Nesse sentido, lembro do caso de dois ex-colegas já falecidos. Numa viagem de avião de Porto Alegre ao Rio de Janeiro, isso na década de 1960, o avião estava com pane e iria cair. Todos apavorados e afivelados nos assentos. Ao que um dos colegas tirou o cinto de segurança, levantou do assento e provocou o outro colega, que se confessava ateu: E agora, fulano?! Deus existe ou não existe? O ateu se manteve firme. Felizmente o avião não caiu. Deve ser muito difícil ser um descrente! Ou não, porque o ateu costuma racionalizar sua existência. Simone de Beauvoir, no livro Todos os Homens são Mortais, sustentava que seria muito ruim se tivéssemos que ser imortais.

Iríamos cansar de viver e sofreríamos muito por razões singelas: a vida se tornaria chata. Para ela, a vida deve ter um limite, como um jogo de futebol tem só 90 minutos ou até no máximo prorrogação. Ela também não acreditava que somos criaturas de Deus e sim que Deus seria mera criação humana.

Crer ou não crer é uma opção. Eu creio que a vida continua depois da morte e me dou muito bem….

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