Sábios e líderes comunitário

Consciente ou inconscientemente, seus empenhos reverteram em benefícios dos outros. Seu saber e ciência produziram solidariedade. A lista é grande.

Consciente ou inconscientemente, seus empenhos reverteram em benefícios dos outros. Seu saber e ciência produziram solidariedade. A lista é grande. Eis alguns padres: Theodoro Amstadt, no cooperativismo e desenvolvimento social; Roberto Landell de Moura, na telecomunicação; Balduíno Rambo, a biologia e botânica; Roque Lauschener, na agroindústria; Paulo de Nadal e Armando Marocco, no desenvolvimento social; Dom Ivo Lorscheider, na economia solidária ou bispo das feiras solidárias em Santa Maria/RS. Vamos destacar três:
 

O padre dos colonos:
Theodor Amstadt foi um jesuíta pioneiro na construção de comunidades gaúchas e cooperativas. Em 1912 fundou em Nova Petrópolis/RS, a primeira cooperativa da América Latina, seguida de retras 12. Chamava-se Volksverein rebatizada para Sociedade União Popular e é considerada o embrião do que veio a ser o atual Sicredi. Antes de sua passagem pelo Vale do Taquari entre 1885 e 1905 trabalhou no Vale do rio Caí, tendo como sede a paróquia de São Sebastião do Caí, a partir da qual atendia às comunidades de São Salvador/Teepandi, Pareci Novo, Bom Princípio, Santo Inácio do Feliz, Nova Petrópolis, Caxias do Sul e Cima da Serra (atual São Francisco de Paula). Contribuiu para a fundação de Cerro Largo (antes Cerro Azul), de Santo Cristo, ambas no Rio Grande do Sul, mais a Colônia de Porto Novo, hoje Itapiranga e São João do Oeste em Santa Catarina, como também as Colônias em Puerto Rico, Capiovi e San Alberto na Província de Missiones, Argentina.
De naturalidade suíça dominava também o italiano. Em seus 38 anos de atividades pastorais e sociais diretas, antes de sofrer grave acidente em 1923, percorreu em torno de 80 mil km no Combo da mula, em média 96 km por semana. Após uma queda da sua viatura durante a travessia de um arroio em enchente, foi transferido para a casa de sua Ordem Religiosa em São Leopoldo onde faleceu em 1938.

 

O padre do Rádio:
É o pioneiro inventor do rádio, do telefone sem fio e do telégrafo sem fio no Brasil. Mas por estar, muito à frente de seu tempo, porto-alegrense Pe. Roberto Landell de Moura foi incompreendido. E por isso, mesmo tendo conseguido transmitir a voz humana antes de Marconi, que o fez somente em 1914, perdeu para este o título de inventor mundial do rádio. Sobrou apenas o título de patrono dos radioamadores do Brasil. Nasceu em 21 de janeiro de 1861, estudou com os jesuítas de São Leopoldo/RS a partir de 1879 antes de seguir para a Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Além de Filosofia e Teologia, tinha grandes conhecimentos em eletricidade e química. Como padre serviu em Porto Alegre, Uruguaiana, Santos Campinas onde fazia demonstrações de transmissões da palavra à distância. Em São Paulo transmitiu sinais socorros numa distância de 8 km. Foi tachado de maluco e espírita, tendo seu equipamento destruído. Nos escritos técnicos e nas experiências concretas do Pe. Landell de Moura há descobertas científicas bem mais avançadas do que as de Marconi. E suas patentes de invento obtidas nos Estados Unidos ficaram no esquecimento. Morreu em Porto Alegre em 30 de julho de 1928.

 

O padre dos insetos e das plantas:

Filho de agricultores, o jesuíta Balduino Rambo nasceu em 1906. É fundador da Cátreda de Antropologia e Etnografia da UFRGS em 1940. Foi no trabalho do campo que mais se notabilizou. Em 1948 seu acervo de plantas já chegava a 50 mil exemplares, representando 90% da flora nativa gaúcha. E quase tudo foi registrado com mais de 1.600 páginas. Seu trabalho teve reconhecimento internacional. Seu diário escrito entre 1919 e 1961 escreveu mais de 10.000 páginas em alemão gótico. Explorou o solo gaúcho com jipe, a cavalo ou em um pequeno monomotor. Tirando fotos aéreas. Faleceu novo, em 12 de setembro de 1961, aos 56 anos.
(Resumo da história de três padres que não só colaboraram com o povo desbravador, espiritualmente, como materialmente).