Quando a vida não oferece respostas

Existem acontecimentos diante dos quais qualquer explicação parece pequena. Uma família viveu, em pouco tempo, uma sequência de perdas difíceis até mesmo de colocar em palavras. Primeiro partiu a mãe, depois, no ano passado, a filha morreu vítima de câncer. Recentemente, faleceu também o pai dela, em Campo Grande. Mas ainda faltava àquela história uma página de dor que ninguém poderia imaginar. O genro saiu de Sinop acompanhado das duas filhas, de apenas 13 e 11 anos, para se despedir do sogro. Era uma viagem para um velório.  No caminho, porém, o veículo em que estavam colidiu frontalmente com um caminhão, o pai, as duas meninas e até Lola, a cachorrinha da família que viajava com eles, morreram.

Por que tanto sofrimento?

É impossível conhecer uma história dessas e não fazer a pergunta que acompanha a humanidade desde sempre: por quê? Por que algumas pessoas atravessam a vida quase tranquilamente enquanto outras parecem receber uma dor depois da outra? Por que duas meninas, com uma existência inteira pela frente?  Por que uma família inteira atingida tantas vezes em tão pouco tempo? A religião oferece a fé. A filosofia procura sentidos. A ciência explica as causas de uma doença ou de um acidente. Mas existe uma pergunta para a qual nenhuma delas consegue oferecer uma resposta que console completamente um coração destruído: por que justamente eles? Algumas perguntas atravessam uma vida inteira sem encontrar respostas.

A fragilidade de estarmos aqui

Histórias assim também nos obrigam a olhar para nossa própria existência. Fazemos planos para o mês que vem, para o próximo Natal, para daqui a dez anos. Guardamos mágoas, adiamos visitas, deixamos abraços para amanhã e acreditamos, silenciosamente, que as pessoas que amamos continuarão ali. Mas não existe contrato algum garantindo o próximo encontro. Telefonar enquanto alguém ainda pode atender. Abraçar enquanto existem braços esperando por nós. Perdoar enquanto ainda há alguém para ouvir nosso perdão. Dizer “eu te amo” enquanto essa frase ainda pode chegar ao coração de quem amamos. Porque talvez o maior mistério da existência não seja descobrir por que algumas pessoas partem tão cedo. E ninguém sabe quando será o último abraço, a última viagem, a última conversa ou a última vez que uma porta se fechará atrás de alguém que amamos.

A minha caneta anotou

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