Artilheiro da Bronze pelo CAC, Ronaldinho busca 5º acesso da carreira: “o mais especial”

Ala de 31 anos disputa o estadual ao lado de amigos de infância. Depois de nove anos longe, ele voltou para Cantagalo e pode dar ao clube, no sábado (21), o maior feito de sua história

Clube e ícone. Clube Atlético Cantagalo (CAC) e João Marcos Paula da Cruz, o ‘Ronaldinho’. As histórias dos dois, apesar do tempo em que estiveram separados, se cruzam no passado e no presente. 
Criado em 2006, o CAC despontou para o futebol profissional na disputa da 3ª Divisão do Campeonato Paranaense. Foi em 2007 em que a instituição adentrou na modalidade em que tornaria-se tradicional: o futsal. Também há 13 anos, Ronaldinho dava os primeiros passos como jogador profissional pelo Galo, numa Série Bronze. Juntos começaram e juntos podem alcançar uma conquista histórica para a cidade de Cantagalo em 2020.


Na disputa da Série Bronze, o Galo está muito próximo de carimbar o acesso à Série Prata de 2021. Depois de passar pelas duas primeiras fases do certame, o time comandado por Veto venceu o jogo de ida das quartas de final, no Barbosão, contra o São Lucas, por 2×1. No duelo da volta, marcado para sábado (21), em Paranavaí, o clube joga por um empate para ir à semifinal e ser promovido de divisão. 
Ronaldinho, artilheiro da competição com 11 gols, está a resultados desta feita. Ele já subiu quatro clubes, mas diz que o feito com o Galo será mais especial. “Por ser em casa. Jogamos uma Prata como convidados. Nunca subimos em quadra. Além disso, me criei jogando nessa quadra do Barbosão, e alguns dos amigos de infância”, diz. 


Infância: apelido e amigos 

Ronaldinho e Renato Mocelin (técnico do Coronel) em fotos da infância e atual
Foto: Arquivo pessoal do atleta

João Marcos é natural de Cantagalo. Nasceu em 1989. Desde os primeiros anos, criou afinidade com companheiros que lhe acompanhariam ao longo das décadas. Entre eles, a bola. 
Carazinho e Pipa, hoje colegas de elenco, são dois dos velhos amigos do craque. “Minha infância foi junto do Carazinho, do Pipa e do Alex Ecco – que neste ano não está no clube. Desde os sete anos jogamos juntos”, conta. 
O apelido “Ronaldo” surgiu na infância. “Quando tinha uns cinco ou seis anos, raspava a cabeça e tinha os dentes iguais ao do Ronaldo Fenômeno – que na época chamavam de Ronaldinho”, revela.

Ronaldinho e Carazinho: amigos de infância e hoje colegas de CAC
Foto: Reprodução

Base no futebol de campo 
Antes de consolidar-se no futsal, Ronaldinho passou pela base de clubes tradicionais do futebol, como Avaí, Coritiba e Marcílio Dias. Na disputa de um Jarcans (Jogos Abertos da Cantuquiriguaçu), conheceu Emerson Rodrigues, o ‘Nenê’. Ele convidou o jovem para vestir as cores do Quedas na Série Prata de 2009. Foi a volta definitiva para as quadras. 
No ano seguinte, retorna a Cantagalo. Pelo time da casa, disputa a terceirona. A convite da Federação, o CAC vai à Série Prata, em 2011. 


Pato
Concorrendo com Foz Cataratas, Pato, Toledo e Keima – que depois tornar-se-iam forças do futsal nacional -, o time conquista o honroso 5º lugar. O ala foi a revelação do Galo. O desempenho chamou a atenção do técnico do Pato, Márcio Borges, que o contratou para a Série Ouro de 2020 – a primeira da equipe que futuramente tornar-se-ia campeã nacional. 


Os acessos

Ronaldinho (o primeiro agachado à direita) jogou por três temporadas no Palmas
Foto: Reprodução

2013 marca o primeiro acesso da carreira do jogador, com o vice da Série Prata com o Clevelândia. Nos três anos seguintes, no Palmas, viveu a sua passagem mais longa por um clube. Sob o comando de André Carrinho, subiu o time na Série Bronze.
O técnico Rafael Antônio, o ‘Tonhão’, entra em sua vida em 2017, quando Ronaldinho se transfere para o Coronel. Um ano depois, os dois seguem para o Chopinzinho, conquistando o 3º lugar na Série Bronze e o acesso. 
No início de 2018, Ronaldinho volta a Coronel. No entanto, o jogador deixa o time após ter a relação estremecida com Vando Ronsani, o treinador. “Com a diretoria e o elenco nunca tive problemas. Tive discussões com o Vando, numa partida em que perdemos o clássico contra o Chopinzinho. Eu sai pois ficaria o ano parado. Ele é um técnico que se abraça com cinco ou seis e vai até o final”. 
Do Coronel, Ronaldinho desembarcou em Laranjeiras do Sul e acertou com o Operário. Ali, não só subiu o time, como foi campeão da Bronze. 


Volta para casa

CAC 2020. Em pé: Robson, Jhonatam, Luiz, Maurão, Gally, Júnior e Veto. 
Agachados: Ronaldinho, Carlinhos, Carazinho, Gauchinho e Codorna.

 


No início deste ano, o CAC anunciou a volta, aguardada há tempos pela torcida, de Ronaldinho. Ele revelou que a vontade de estar perto da família, que o adotou quando tinha quatro meses de idade, pesou na decisão pelo retorno. “Fui adotado por uma família boa. Não guardo mágoa da família biológica, inclusive conheço meu pai de sangue. Na época, eles não tinham condições de me criar”. 
Desde quando iniciou a carreira profissional, aos 18 anos, Ronaldinho via os familiares esporadicamente, como nas férias. “Eles assistem a todos os jogos. Esses dias cheguei em casa e o meu pai estava vendo jogo do CAC. Ele e a mãe dão palpites. Isso está me fazendo bem”.  


São Lucas, um gigante no caminho Galo
Adversário do CAC, o São Lucas é um dos maiores clubes da história do futsal paranaense. Vice-campeão da elite em 2011, foi rebaixado pela primeira vez no ano passado. A diretoria abriu mão da Série Prata e participa da terceirona com um time jovem e caseiro.
Para Ronaldinho, apesar da pouca experiência dos atletas adversários, a organização tática e o preparo físico fazem a camisa do São Lucas pesar em quadra. “Nós entramos como o time pequeno do confronto. Não acho que somos favoritos. A história não entra em quadra, mas a campanha deles é melhor e estavam invictos até o primeiro jogo. E essa derrota não tira o favoritismo”, justifica. 


Veto, unanimidade 
Enquanto André Carrinho, Márcio Borges, Luciano Bonfim e Tonhão são os treinadores de renome estadual com os quais Ronaldinho trabalhou, Veto é uma unanimidade na região de Cantagalo. Ele é o responsável pelas melhores campanhas do CAC: o 5º lugar em 2011 e 2018 na Bronze. No ano passado, Veto dirigiu o Caçula – também de Cantagalo – na Série Ouro Feminina. A 5ª colocação, logo na primeira participação do clube, surpreendeu.  

“Veto sempre foi nosso alicerce. Ele é um formador nato, nos acompanha desde a base e sabe tirar as manias dos jogadores. Se o atleta é habilidoso, ele cria um esquema tático para deixar o cara de ‘mano’ numa ala. E isso está acontecendo na Bronze. Acabamos correndo por atalhos dentro da quadra. Sofremos menos para chegar ao gol”, reconhece Ronaldinho. 


Final com o Mangueirinha
Numa possível ida à final da Bronze, Ronaldinho diz que gostaria de enfrentar o Mangueirinha. O clube, único até aqui a garantir o acesso, tem no elenco amigos do cantagalense, Tomada. Quem também está por lá é o técnico Vando. 
Como outros candidatos ao acesso, ele elege Apucarana e Fazenda