Gustavo Rossetim no comando do Operário Laranjeiras Feminino: “realização do meu sonho”

Ex-árbitro vai comandar as meninas do Rubrão na Série Prata. Em entrevista ao Correio, ele analisou o momento da modalidade no estado

Por Juliam Nazaré

Aos 39 anos, Gustavo Rossetim vive a melhor fase da carreira. O curitibano, que vive em Laranjeiras do Sul desde 2016, se prepara para dirigir pela primeira vez uma equipe de futsal adulta. Ele é o técnico do Operário Laranjeiras, que estreia na Série Prata Feminina às 10h30 de domingo (16), em casa, diante do Toledo. Durante o intervalo de treinos no Laranjão, Gustavo recebeu Juliam Nazaré e concedeu entrevista ao Correio do Povo do Paraná. Na ocasião, ele repassou a carreira a limpo, falou da experiência como árbitro e analisou o momento do futsal feminino no Paraná.

Trajetória

Gustavo Rossetim foi atleta das categorias de base do Cancun Futsal. No sub-13, foi campeão estadual, mas resolveu deixar a vida de jogador de lado para se dedicar aos estudos. Ao cursar Educação Física, entrou em contato com treinamento e gestão esportiva. 

Em 2001, ingressou como árbitro da Federação Paranaense de Futebol de Salão (FPFS). Durante 19 anos, Gustavo tornou-se um dos principais árbitros do estado, integrando o quadro da Confederação Brasileira de Futebol de Salão (CBFS) e trabalhando nas principais competições do Paraná e na Liga Nacional

A vinda para Laranjeiras

Há seis anos, conheceu Renata, também árbitra, durante o trabalho nos Jogos Escolares. Após um ano e meio de namoro a distância, os dois casaram e optaram por adotar Laranjeiras – cidade da família de Renata – como residência. “Estou satisfeito com a qualidade de vida, a educação e a saúde de Laranjeiras. Não quero morar noutro lugar”, diz Rossetim. 

O Operário

Gustavo comanda treino do Operário Laranjeiras Feminino. Foto: Reprodução

2019 marcou o fim da atuação de Gustavo no apito. Ele aceitou a proposta do Operário Laranjeiras para ser o auxiliar técnico de Luciano Bonfim, na Série Bronze Masculina. “Conquistei quase tudo o que queria na arbitragem, só faltou um play-off da Liga Nacional. Acho que fiz a escolha certa, pois agora vivo o melhor momento da minha carreira. Meu sonho sempre foi estar dirigindo um time.” 

No ano seguinte, foi a vez de comandar o sub-20 do Rubrão e de atuar como comentarista da Rádio Educadora nos jogos do clube na Série Prata. A iniciativa do Operário ter uma equipe feminina deu, neste 2021, a oportunidade para que Gustavo se tornasse um treinador profissional. “É a realização de um sonho que iniciou no curso de educação física”, diz. 

Após deixar o apito, Gustavo acredita que a reputação conquistada na arbitragem facilitará no bom relacionamento com outras equipes e com a Federação. Entretanto, ele não espera ter “tratamento privilegiado” por parte dos ex-colegas. 

“Não vejo como me beneficiar. O bom relacionamento é importante, por exemplo, para quando for jogar fora de casa ter boa indicação de logística e não precisar ficar ‘correndo’ atrás. Muitos me questionam o tratamento da arbitragem comigo, e vejo que é pior, pois eu conheço a profissão e o fato de ter sido um árbitro enérgico faz com que também sejam comigo.” 

O futsal feminino no Paraná

Na visão de Rossetim, o futsal do Paraná é o mais forte do Brasil. De acordo com ele, o estado deve crescer ainda mais na modalidade com a criação da Série Prata e o surgimento de novas equipes. “São Paulo e Santa Catarina eram as potências, mas sem concorrência, sempre com poucas equipes. Agora, no Paraná, já temos o Stein e o Pato Branco fazendo frente a Cianorte e Telêmaco”.

A supremacia destes dois últimos, segundo o técnico, fazia com que as demais equipes planejassem o estadual visando a disputa pelo 3º lugar, o que muda com a criação da segunda divisão.  “Temos 21 equipes no estado. É a maior competição da modalidade no país. No ano passado, Santa Catarina teve quatro e São Paulo teve três integrantes no ano passado. Acredito que no ano que vem o Paranaense terá ainda mais equipes. Já foi quantificado e agora precisam surgir mais equipes qualificadas para fazer frente às demais.”

O time feminino

A equipe feminina do Operário conta com 15 atletas: 10 são laranjeirenses. Outras cinco foram contratadas e chegam de outras cidades. O elenco é novo: a atleta mais velha tem 32 anos. 

A estrutura é semiprofissional. Ocorre um treino por dia, além da sessão na academia. As atletas “da casa” jogam “por amor à camisa”, conforme Gustavo, enquanto as cinco contratadas são renumeradas. “Queremos aproveitar o momento do time masculino para atrair o público para o feminino também. Está dando certo”, argumenta Rossetim. 

“O time foi pensado no acesso e depois no título.Os grandes adversários são os times que tem histórico de participação na Série Ouro – Colombo, Caçula, Guarapuava e Toledo -, além de Rio Branco, Chopinzinho”, palpita.