EUA vão julgar Nicolás Maduro após captura em operação militar

Procuradora-geral americana afirma que o presidente venezuelano e sua esposa serão processados em Nova York por narcoterrorismo, posse de armas e outros crimes

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, serão julgados nos Estados Unidos após serem capturados em uma operação militar realizada na madrugada de sábado, 3 de janeiro de 2026. A procuradora-geral dos Estados Unidos, Pamela Bondi, disse neste sábado que o casal enfrentará em breve “toda a fúria da justiça americana” em tribunais do Distrito Sul de Nova York, com base em acusações que incluem conspiração de narcoterrorismo, importação de cocaína e posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos.

O presidente americano, Donald Trump, confirmou a captura e disse que as forças dos Estados Unidos conduziram a operação em território venezuelano para permitir que Maduro responda por esses crimes em solo americano. Autoridades dos EUA também ressaltaram que havia um mandado de prisão pendente e uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à sua captura.

Repercussão internacional e resposta venezuelana

A incursão militar desencadeou reações no cenário internacional. Países como Rússia e Cuba condenaram a ação, classificando-a como “agressão armada” e “ataque criminoso”, e pediram respeito ao direito internacional. Ao mesmo tempo, o presidente da Argentina, Javier Milei, saudou a captura, afirmando que “a liberdade avança”. A União Europeia pediu moderação e que as normas legais sejam observadas no tratamento do caso.

O governo venezuelano, por meio da vice-presidente Delcy Rodríguez, afirmou desconhecer o paradeiro de Maduro e de sua esposa após a operação, gerando incertezas sobre a situação política interna do país. Caracas também reagiu às ações americanas, apontando uma emergência nacional e convocando planos de defesa diante do que descreveu como uma intervenção externa.

Paralelamente, a movimentação dos Estados Unidos suscitou debates políticos em diferentes países. No Brasil, líderes de espectros variados discutiram a legitimidade da ação americana, enquanto diplomatas avaliaram possíveis impactos na estabilidade regional e nas relações exteriores.

As acusações contra Maduro representam um ponto de inflexão nas relações entre Washington e Caracas, intensificando uma crise que já vinha se arrastando há anos, com acusações mútuas de violação de direitos humanos, tráfico de drogas e ameaças ao Estado de direito. A expectativa agora está em como o processo judicial se desenrolará nos Estados Unidos e quais serão as consequências para a política interna venezuelana e para a dinâmica regional na América Latina.