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Candidatos à reitoria da UFFS falam sobre propostas ao Correio do Povo

Em passagem pelo campus de Laranjeiras, João Braida e Sandra Pierozan estiveram na sede do Correio do Povo para expor seus planos caso eleitos à reitoria da universidade

Nesta quinta-feira (13), uma das cinco chapas que concorre à reitoria da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), esteve em Laranjeiras do Sul em visita ao campus local. O professor João Alfredo Braida e a professora Sandra Simone Höpner Pierozan, da chapa ‘Reconstruir e Avançar’, conversaram com o Correio do Povo para expor as propostas e projetos de sua gestão. Confira:

Jornal Correio do Povo: Professores, por que vocês decidiram concorrer a reitoria da UFFS?

João Alfredo Braida: Na nossa visão compomos um coletivo, de professores, estudantes, técnicos administrativos, de representação da comunidade regional. Esse coletivo vem dos seis campi da universidade, e eles dialogam há algum tempo sobre a eleição e entendemos que era preciso resgatar algumas coisas do projeto nacional, uma vez que na última eleição o processo eleitoral não foi respeitado. O terceiro colocado é quem foi efetivamente empossado como reitor, e nesse período aconteceram coisas que nos desagradam. A atual gestão foi marcada por ingerência política e ideológica que se sobrepôs à vontade da comunidade universitária, alimentados pelo negacionismo da ciência que se sustentou do autoritarismo.

Então entendemos que era preciso tomar a frente do processo. Considerando minha trajetória e a da Sandra, percebemos que essa questão do coletivo tinha que ser colocado no processo eleitoral, com esta chapa, dada a experiência que acumulamos. Nossa intenção é recolocar a universidade na trajetória da construção para que ela seja de fato inclusiva, democrática, que atenda aos anseios da comunidade, especialmente da classe trabalhadora, pois esta universidade nasceu disso, é uma universidade popular, queremos que ela receba aqui filhos e filhas dos trabalhadores da região.

Sandra Simone Höpner Pierozan: Outro fator de decisão é que a universidade é multicampi, localizada em três estados do Brasil. Com isso entendemos nesse coletivo que a gestão da universidade deve ser feita a partir de um olhar mais amplo, não concentrado em apenas um campus. Então, nesse momento eu venho com essa indicação do grupo de Erechim para representar o campus, e também para representar e dar oportunidade a mulher na gestão do ensino superior.

Correio do Povo: O que vocês gostariam de sonhar e por em prática, pensando na UFFS como um todo? Já existem projetos de ampliação, ou implementação de novos cursos, pensando no total?

Candidatos: Sim, quando falamos disso, lembro do lema da nossa chapa, ‘reconstruir e avançar’. Esse lema vem no sentido de recolocar a universidade na perspectiva do projeto original, mas não apenas isso. Não basta reconstruir, precisamos avançar, no sentido de que temos que ampliar a oferta de cursos. Pretendemos, na gestão, ouvir a comunidade universitária e reorganizar o currículo adicional, no sentido de que nossos cursos precisam ter um currículo que atenda às demandas de informação atuais.

Porquê, por exemplo, o projeto de expansão de 2015, precisa ser revisto. Existem cursos que possam não ser mais atrativos, pois talvez aquela profissão possa ser uma que hoje nem se coloca no mercado, então temos que olhar um pouco para isso, obviamente.

Hoje em dia existe pouca estabilidade nas profissões. Elas estão mudando muito, então nosso currículo tem que olhar para isso. É nesse aspecto que queremos trabalhar, não só expandindo, mas também reorganizando a oferta dos cursos existentes.

Também é preciso fazer uma reorganização da nossa política orçamentária. A universidade é muito jovem, completando quatorze anos agora em setembro. Durante o período inicial da gestão, o foco era na implantação da universidade e na organização da sua estrutura. Mas agora a estrutura física já está aí, é preciso que nossa política orçamentária olhe para as atividades fins. Então colocar o ensino, a pesquisa e extensão na centralidade da política orçamentária. Esse plano todo foi pensado na universidade durante aquele momento de estruturação. Hoje precisamos olhar para onde ocorrem as atividades e elas acontecem nos campi, então temos que ter ali um corpo de servidores que deem conta dessas atividades.

A visão inclui apoiar a criação de cursos de graduação e pós-graduação conforme as demandas. O campus de Laranjeiras possui dois mestrados e há propostas para ampliação. É importante oferecer ensino superior completo, incluindo pós-graduação lato sensu, mestrado e doutorado, para beneficiar a comunidade.

Correio do Povo: Sobre Laranjeiras, o campus perdeu alunos e enfrenta desafios próprios, como acidentes no trevo. Existe também a proposta do deputado Felipe Barros de separar o Paraná da UFFS. O que a comunidade pode esperar de seu mandato? Como veem a possibilidade de desmembramento?

Candidatos:Bom, começando pelo desmembramento, não concordamos com essa ideia, pois a UFFS só é uma universidade por que tem seis campi. Quer dizer, ela não será uma universidade com um único campus, para ser uma universidade ela precisa dos seis campi. Logo o desmembramento é na verdade uma perda. Você reparte em pequenos centros, mas eles não têm o status universitário. Então é uma preocupação, mas concordamos com a ideia de que é preciso um novo olhar sobre a gestão da universidade e uma visão que olhe para os campi. Quando falamos sobre reorganização da política orçamentária, é exatamente sobre isso. Temos que ter uma política orçamentária que olhe para a realidade de cada campus, pois assim podemos fazer com que a universidade atenda, com qualidade, a comunidade onde ela está.

Sobre a redução de alunos nos cursos, temos que ter clareza que essa queda no número de estudantes é um problema nacional, não apenas da UFFS. A demanda por vagas universitárias tem diminuído e muitos jovens nem terminam o ensino médio. Infelizmente no Brasil o ensino superior não está na perspectiva da grande maioria da juventude. Esse é um problema nacional, mas obviamente existem questões internas e que precisamos analisar isso. Temos que olhar se os cursos existentes são os que deveriam estar aqui. Então é necessário fazer um estudo sobre isso e buscar alternativas para que aqueles cursos tenham uma efetiva ocupação no sentido de que o campus de Laranjeiras do Sul possivelmente seja o maior orçamento, a maior empresa, vamos dizer assim, em termos de recurso investido, e isso é público, então tem que maximizar o uso disso. Deveríamos estar com as salas cheias, obviamente.

Mas além disso nós acreditamos que o campus deve ser um local com atividades de ensino, pesquisa, eventos culturais e esportivos, atraindo a comunidade regional. Precisamos investir no campus para torná-lo agradável não só para estudantes, mas também para a comunidade rural. Isso requer uma gestão comprometida com essas melhorias.

Correio do Povo: Professores, para concluir, vocês querem colocar mais alguma coisa, alguma informação que achem relevante?

Achamos importante ressaltar essa manifestação em vir dialogar com a comunidade, ouvindo servidores, acadêmicos e membros da região, pois não podemos assumir uma plataforma pronta do que queremos para a universidade. Precisamos entender as necessidades e realidades de cada campus e segmento. A conversa com os estudantes foi crucial para compreender suas dificuldades e, com o apoio deles, podemos criar um planejamento estratégico para os próximos anos.

Não há como trabalharmos na urgência e na emergência, então precisamos que seja leve, claramente. Essa meta que queremos alcançar, e repito, não é a meta do Braida e da Sandra. Somos aqueles que vão representar e vão conduzir a universidade nos próximos anos. O que nós queremos? Queremos um trabalho coletivo em que as pessoas se sintam bem na universidade.