Dia de Reis une fé, cultura popular e reforça a reflexão cristã nas comunidades
Padre Sebastião Gulart explica a origem da celebração e convida fiéis para a missa desta terça-feira, em Laranjeiras do Sul
Celebrado em 06 de janeiro, o ‘Dia de Reis’ mantém espaço no calendário religioso e cultural como marco do encerramento do ciclo natalino. Em Laranjeiras do Sul, a data é lembrada pela comunidade católica em meio a explicações sobre seu significado bíblico, a força da tradição popular e a celebração litúrgica da Epifania do Senhor. Segundo o padre Sebastião Gulart, a compreensão do dia passa pela distinção entre o que está nos textos bíblicos e o que foi construído ao longo do tempo pela devoção popular.
De acordo com o pároco, a chamada festa dos Santos Reis é hoje mais conhecida como manifestação cultural do que como celebração litúrgica específica. Ele explica que a Igreja reconhece duas grandes manifestações de Jesus descritas na Bíblia. A primeira ocorre no Natal, quando os anjos anunciam o nascimento do menino aos pastores. A segunda é a Epifania, que representa a manifestação de Deus ao mundo, simbolizada pela visita dos magos.
Epifania e a presença dos magos
Padre Sebastião destaca que o termo epifania significa revelação ou manifestação. Para ele, essa celebração tem um sentido universal. Enquanto no Natal Jesus se revela a um grupo pequeno, na Epifania ele se manifesta a todos os povos. Essa universalidade é representada pelos magos que vão ao encontro de Jesus, Maria e José.O padre ressalta que, nos evangelhos, especialmente no texto de São Mateus, não há referência aos visitantes como reis. A Bíblia fala apenas de magos, homens sábios e astrólogos capazes de interpretar sinais. Segundo ele, a tradição cristã passou a chamá-los de reis a partir de leituras do profeta Isaías, que menciona que reis e nações de toda a terra viriam adorar o Senhor.Para o sacerdote, mais importante do que o título atribuído a eles é o sentido do gesto. Ele afirma que os magos conseguiram ler muitos sinais, mas o mais importante foi reconhecer a luz maior, que é Jesus. A tradição também atribuiu nomes aos três visitantes, Baltasar, Melchior (ou Belchior) e Gaspar, embora esses detalhes não estejam registrados nos textos bíblicos.
Tradição popular e celebração na comunidade
Segundo o padre, a tradição popular acrescentou outros elementos à narrativa, como a ideia de que os magos vieram de regiões diferentes. Baltasar teria vindo da África trazendo a mirra, Melchior da Índia com o incenso e Gaspar da Europa levando o ouro. Ele reforça que essas informações pertencem à tradição e ajudam a enriquecer a devoção popular, mas não fazem parte do relato bíblico.No Brasil, essa devoção se expressa principalmente por meio da ‘Folia de Reis’, manifestação cultural que percorre comunidades entre o Natal e o dia 06 de janeiro. O padre observa que, embora não seja tão forte em todas as regiões, a folia ainda resiste em alguns estados, como Minas Gerais, e em partes do Paraná. Para ele, trata-se de um resgate da história e da fé do povo, que mantém viva a memória desse período.Do ponto de vista litúrgico, o ‘Dia de Reis’ não possui uma celebração própria no calendário da Igreja. A Epifania é celebrada no segundo domingo após o Natal, quando a liturgia recorda a visita dos magos. Ainda assim, o dia 06 mantém valor simbólico e cultural. Em Laranjeiras, haverá missa às 19 horas, como de costume, na igreja matriz. A data também marca o momento tradicional de desmontar o presépio, encerrando oficialmente as celebrações natalinas.Para o padre Sebastião Gulart, a celebração segue como oportunidade de reflexão sobre a manifestação de Deus ao mundo e sobre a riqueza das tradições que, ao longo do tempo, ajudaram a transmitir essa mensagem às comunidades.



