Entrevista exclusiva revela preparação de alunos do NRE de Laranjeiras para intercâmbio

Técnica, Cristina Müller, do Núcleo Regional de Educação explica as etapas de seleção, o acompanhamento aos estudantes e o suporte oferecido aos estudantes

O calendário de janeiro será intenso para os estudantes aprovados no programa de intercâmbio Ganhando o Mundo, da secretaria de estado da Educação do Paraná. Reuniões de acolhimento, orientações às famílias, preparação linguística e eventos de despedida antecedem o embarque dos 2 mil alunos que representarão os 399 municípios do estado no exterior a partir do próximo semestre letivo.

No Núcleo Regional de Educação (NRE) de Laranjeiras do Sul, 35 estudantes foram selecionados na etapa inicial do processo seletivo. São 34 vagas do programa regular e uma do Ganhando o Mundo Agro, voltado a escolas agrícolas, com destino exclusivo aos Estados Unidos. O NRE integra a lista estadual que formará o grupo de 2 mil intercambistas paranaenses de 2026.

Segundo a técnica do NRE de Laranjeiras do Sul, Cristina Müller, responsável regional pelo programa, a seleção segue critérios objetivos baseados em desempenho escolar e engajamento em atividades pedagógicas complementares. O processo é estadual e organizado por pontuação, com etapas de prioridade que consideram representatividade municipal, perfil socioeconômico e mérito acadêmico.

“Acompanhamos de perto desde a seleção até o retorno. Somos a ponte entre o aluno, a escola e a família. Mesmo depois que eles são aceitos, mantemos contato, tiramos dúvidas e apoiamos no que for preciso”, explica Müller em entrevista exclusiva.

Como funciona a seleção

O programa adota um modelo classificatório em que todos os candidatos concorrem dentro de uma lista única do estado. O primeiro critério prioriza o aluno com maior pontuação de cada município. Na sequência, critérios como estudantes inscritos no Cadastro Único que recebem Bolsa Família concorrem a vagas, também preenchidas por nota. O restante dos critérios é ocupado pelas maiores pontuações gerais. Em casos de empate, a idade é usada como critério de desempate, com prioridade ao mais velho.

Os requisitos obrigatórios incluem estar na 1ª série do ensino médio em 2026, ter cursado do 6º ao 9º ano na rede estadual, manter frequência mínima de 85% e média mínima 7 em todas as disciplinas. Também são considerados a participação no programa Aluno Monitor, desempenho na prova Paraná Mais e a conclusão de três certificações na plataforma de inglês indicada pelo edital.

“Quando há desistência, a vaga não é do núcleo nem do município. Ela é estadual. Vai para o próximo da lista geral. Por isso, nem sempre o substituto será da mesma escola ou da mesma cidade”, esclarece Müller.

Intercâmbio custeado e suporte integral

Após a aprovação, a logística é conduzida por agências de intercâmbio contratadas via licitação pública. Elas organizam documentação, deslocamentos, hospedagem e transporte. O governo também assegura a matrícula em curso de inglês online ao vivo com professores nativos, monitorado semanalmente pelo núcleo regional.

A documentação, passaporte, visto e até o transporte até os centros emissores é tudo organizado e pago. “A família não tem custo com a operação do intercâmbio. O estudante só precisa se dedicar à preparação e às etapas de acompanhamento”, diz Müller.

No último ciclo, a bolsa mensal para gastos pessoais foi de R$ 600. A ajuda financeira é mantida durante a estadia, já que alimentação, moradia e escola são oferecidas pelas agências parceiras e pelas famílias anfitriãs credenciadas.

A hospedagem ocorre em casas de famílias (host family) previamente avaliadas. Os estudantes são orientados sobre regras de convivência, rotinas, tarefas domésticas e costumes locais. Há também acesso ao canal psicológico ‘Escola Escuta’, que presta apoio remoto em casos de saudade, adaptação cultural ou questões emocionais durante a jornada. O núcleo também faz todo o acompanhamento documental junto à escola e à família, relata Müller.

Destinos, duração e rotinas

Os destinos previstos para 2026 incluem Canadá, Irlanda, Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos para o programa Agro. A definição do país considera a fluência do aluno em inglês e a oferta de vagas das agências em cada território.

Eles passam um semestre letivo fora, entre quatro e seis meses, dependendo do país e do calendário escolar. As escolas são parceiras, e o aluno é matriculado como estudante regular. “É um período de vivência real, com horários, regras, prazos e avaliações como qualquer aluno local”, explica Müller.

Ela descreve que as maiores diferenças percebidas pelos estudantes costumam estar na rotina escolar e na convivência social. Pontualidade, formalidade no tratamento, uso de uniforme e participação ativa em tarefas da casa aparecem entre os pontos mais mencionados nos relatos de quem já retornou.

“Teve aluno que guardou parte da bolsa para ajudar a família aqui no Brasil. Outra contou que amou tanto o uniforme escolar e queria trazer para usar no Brasil. Também já tivemos aluno que foi acolhido por uma família indiana na Austrália. Foi uma experiência rica, com outra cultura dentro do próprio intercâmbio”, lembra a técnica.

Reintegração e compensação acadêmica

Ao retornar ao Paraná, o aluno é reintegrado à escola de origem. Como nem todas as disciplinas da matriz curricular brasileira são ofertadas no exterior, há uma etapa de compensação de conteúdos. O programa também prevê a produção de dois trabalhos obrigatórios: um projeto interdisciplinar de pesquisa e uma apresentação oral sobre a experiência internacional para os colegas da escola. “Isso vira parte da trajetória escolar e ajuda a inspirar mais jovens”, descreve Müller.

O programa não exige que o aluno refaça o ano letivo. A compensação de conteúdos é feita em paralelo, sem prejuízo ao avanço escolar.

Perfil dos selecionados

No NRE de Laranjeiras do Sul, assim como no recorte estadual, a maioria dos aprovados é do sexo feminino. Para Muller, o dado aparece como tendência observada também em outras edições.

“A maior parte dos selecionados são meninas. É um recorte que se repete. Elas costumam apresentar um conjunto mais forte de notas, certificações e engajamento nos projetos de monitoria”, afirma.

Continuidade e registros

As inscrições e classificações do programa são organizadas pela secretaria da Educação do Paraná, com publicação oficial dos editais, chamamentos e resultados nos canais institucionais do governo do estado.

As etapas presenciais de janeiro incluem encontros regionais com estudantes e responsáveis, além de orientações pedagógicas conduzidas pelas equipes dos núcleos regionais de educação.

“O núcleo está de portas abertas. Cada aluno tem uma história, uma família, uma escola. Nosso trabalho é organizar o processo, informar com clareza e garantir que as regras do edital sejam cumpridas”, conclui Müller.

O ciclo que começa em janeiro é mais do que preparação para uma viagem. É o início de um percurso formativo que envolve escola, família e território. Para os 35 estudantes selecionados, o semestre no exterior será um capítulo entre muitos de uma trajetória acadêmica que segue no Paraná. O próximo semestre letivo, agora projetado para além das fronteiras, também se inscreve como continuidade de um mesmo compromisso: aprender, partilhar e transformar a formação escolar em caminho para novos horizontes.