Eryki Nogueira leva o nome de Laranjeiras à arbitragem estadual

Em entrevista exclusiva, árbitro relata formação, rotina e desafios nas quadras do Paraná

A arbitragem exige preparo físico, conhecimento técnico constante e capacidade de lidar com pressão dentro e fora das quadras. Esses aspectos foram detalhados pelo árbitro Eryki Nogueira em entrevista concedida ao podcast Correio Esportivo, do Jornal Correio do Povo do Paraná, na última sexta-feira (13). Ao longo da conversa, ele apresentou sua trajetória profissional, descreveu o processo de formação da arbitragem paranaense e relatou experiências que marcaram sua carreira.

Atualmente integrante do quadro da Federação Paranaense de Futebol de Salão, Eryki atua em competições estaduais de diferentes categorias e projeta, como próximo passo, a entrada no quadro nacional.

Da atleta à arbitro

Antes de atuar como árbitro, Eryki teve uma longa relação com o futsal como jogador. “Eu jogava desde os seis anos, aqui em Laranjeiras”, afirmou. A mudança de função ocorreu na transição para a vida adulta e um episódio específico acelerou essa decisão. “Percebi que não conseguiria seguir como atleta profissional e sofri uma fratura no pé após uma entrada maldosa em uma competição regional”, Conta.

Segundo ele, a arbitragem sempre despertou interesse. “Eu gostava da ideia de conduzir o jogo, de entender as regras e aplicar isso dentro de quadra.” Aos 21 anos, decidiu buscar informações sobre a carreira e iniciou o processo de formação. “Descobri a liga regional e, a partir disso, fiz o curso da federação.”

Formação técnica e exigência contínua

O árbitro destacou que a atuação profissional passa por um processo formal e permanente de avaliação. “O curso é oficial. Dura quatro finais de semana, com aulas teóricas e provas físicas. Todos os anos passamos por reciclagem obrigatória, com testes físicos e avaliações teóricas. Só assim seguimos aptos a apitar”, destaca o árbitro.

Para Eryki, ainda há desconhecimento sobre a preparação exigida dos árbitros. “Muita gente acha que só o atleta precisa estar bem fisicamente. O árbitro também precisa acompanhar o ritmo do jogo e estar próximo dos lances. O estado tem um cuidado muito grande com a formação da arbitragem.” Afirma Nogueira.

Competições, calendário e estrutura

Atuando nas competições organizadas pela federação, Eryki explicou que o calendário do futsal estadual é extenso. “As competições vão de fevereiro até novembro ou dezembro.” Segundo ele, há torneios desde as categorias de base, do Sub-7 ao Sub-20, até o adulto masculino e feminino. “No masculino, temos chave bronze, prata e ouro. No feminino, prata e ouro.”

Ele também detalha os aspectos operacionais da arbitragem, como os uniformes. “Na federação usamos quatro cores: rosa, laranja, azul-claro e verde. A troca acontece quando há conflito com as cores das equipes”, explica. Em campeonatos regionais, os padrões variam conforme a organização local.

Jogos marcantes e pressão em quadra

Ao falar sobre partidas que exigiram maior controle emocional e técnico, Eryki citou confrontos decisivos. “Um dos jogos mais marcantes foi entre Pato Futsal e Marechal Futsal, pela chave ouro feminina e uma partida da base que apitei da Copa Mundo entre Botafogo e Coritiba. Era um ambiente de muita responsabilidade.”

Além da pressão esportiva, situações inesperadas também fazem parte da rotina. “Uma vez, a torcida bateu um bumbo bem atrás de mim durante a corrida e eu me assustei. O ginásio inteiro riu.” Outros episódios tiveram impacto emocional. “Um menino pediu meus cartões como lembrança e quis tirar foto comigo. Isso mostra que o árbitro também é observado”, conta.

Referências e objetivos profissionais

Entre as experiências fora de quadra, Eryki citou o contato com atletas reconhecidos. “Conheci o Rodrigo Capita, do Magnus Futsal e da Seleção Brasileira. É um atleta muito respeitoso com a arbitragem.” Ele também mencionou Falcão como referência histórica. “É impossível falar de futsal sem citar o que ele representa.”

O principal objetivo profissional, segundo ele, está definido. “Quero entrar no quadro nacional da arbitragem, pela Confederação Brasileira de Futebol de Salão. Estou me preparando para isso”, afirma.

Ao falar sobre o comportamento de algumas pessoas durante as partidas, Eryki sintetiza sua visão sobre o esporte. “O erro faz parte, tanto do atleta quanto do árbitro. Sem respeito, não existe esporte”, conclui.