Falta de luz gera protesto de produtores de leite

Copel afirma que atendeu mais de 300 emergências no fim de semana e que consumidores podem pedir ressarcimento

30 moradores de duas comunidades do interior de Laranjeiras do Sul foram à agência da cidade para protestar e pedir um esclarecimento da Companhia Paranaense de Energia (Copel). No último fim de semana a região de Alto Alegre do Rio do Tigre e Passo Liso ficou sem eletricidade. Segundo os consumidores, foram 30 horas sem luz e as falhas no fornecimento ocasionam prejuízos para quem produz leite ou carne. 


Reclamações

“Dentro de duas ou três vezes da semana, tem acontecido. E imaginamos o porquê: falta de manutenção da rede, que está lá, exposta, com o risco de matar pessoas e animais”, reclama Eliton dos Santos, produtor de leite de Passo Liso. 
Ele diz que, apesar do principal prejuízo vir do leite, ficar “às escuras” compromete até mesmo o fornecimento de água. “Temos água através de uma bomba, então, sem luz, a casa e os animais ficam sem, o que é ainda pior, pois perdem a cria. A carne nos resfriadores em pouco tempo estraga”. 
Alexandre Marangoni é produtor de leite no Alto Alegre e diz que as quedas não são passageiras. “Sábado caiu tipo umas 14 horas e voltou na segunda, às 10”.


Atendimento contestado
 
Os produtores argumentam que entram, frequentemente, em contato com a Copel, mas que o atendimento não resolve o problema.  “De três meses para cá, todos os dias falta energia elétrica para nós. Ontem, perdemos leite. Ligamos para a Copel e dizem que ‘estão na rede’. As quedas são demoradas, às vezes precisamos tirar leite com motorzinho”, argumenta Edna Crotti, do Alto Alegre. 


O que diz a Copel? 

De acordo com Rafael Camargo, a agência de Laranjeiras do Sul atualmente está sem chefe. Ele, que responde pela região de Pato Branco, esteve no ato para conversar, ouvir e dar explicações aos moradores. Segundo ele, no interior do município há uma incidência grande de eucaliptos próximos à rede elétrica. O fato destes pertencerem aos moradores – que não permitem o corte – dificulta a derrubada. “Então, um vento, uma chuva qualquer, lança cascas sobre a rede, e isso compromete o fornecimento”. 
Rafael conta que na região das duas comunidades existe uma rede automatizada, que quando há a interrupção por algum problema, restabelece o fornecimento. “Às vezes, ocorre quebra de postes, rompimento de cabos”, explica.
Ainda segundo ele, por conta do temporal, a agência do município atendeu, entre sábado e domingo, mais de 300 emergências. 
“Não necessariamente precisa ocorrer um problema no Rio do Tigre para ter a queda, pode acontecer em outro lugar. Nem sempre as faltas de energia são longas”.
O profissional explicou que os produtores podem pedir o ressarcimento dos prejuízos junto à estatal. Para isso, precisam entrar em contato via telefone 0800 ou presencialmente. “Eles informam então o dano, apresentam documentos e o talão de luz. Se for acatado, a Copel entrará em contato em busca de novos documentos”.