Janeiro Branco: Rafael Sass aponta os alertas invisíveis da depressão
O ‘Janeiro Branco’ é uma campanha nacional dedicada à conscientização sobre a saúde mental, emocional e psicológica. O mês foi escolhido por simbolizar recomeços e a ideia de uma folha em branco, convidando a população a refletir sobre sentimentos, comportamentos e a forma como lida com as próprias emoções. Em um contexto de crescimento dos casos de ansiedade, depressão e estresse, a iniciativa busca ampliar o diálogo e reduzir o estigma em torno do sofrimento psíquico.
Segundo o psicólogo Rafael Sass, profissional do ‘Integrare – Instituto de Neurodesenvolvimento’, de Laranjeiras do Sul, os sinais de adoecimento emocional costumam aparecer de forma gradual e, muitas vezes, passam despercebidos. Entre os indícios mais frequentes estão a tristeza persistente, o desânimo constante e a perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas. Alterações no sono, como insônia ou sono excessivo, cansaço contínuo e mudanças no apetite também são comuns.
Além desses aspectos, Sass explica que dificuldades de concentração, afastamento do convívio social e sentimentos recorrentes de vazio, culpa ou desvalorização pessoal merecem atenção. A percepção negativa sobre si mesmo e sobre o futuro é outro fator presente. O psicólogo destaca ainda que a depressão nem sempre se manifesta apenas como tristeza. Em alguns casos, surge na forma de irritabilidade, apatia ou exaustão emocional intensa.
Quando a tristeza deixa de ser passageira
A tristeza faz parte da experiência humana e costuma estar associada a perdas, frustrações ou momentos difíceis. No entanto, de acordo com Rafael Sass, ela passa a exigir atenção profissional quando deixa de ser temporária e começa a comprometer o funcionamento diário da pessoa.O alerta surge quando o sofrimento emocional se prolonga e interfere no trabalho, nos estudos, nos relacionamentos e nas atividades rotineiras. Desmotivação constante, falta de energia e sensação de perda de sentido na vida são sinais que indicam a necessidade de buscar ajuda especializada. Nesses casos, procurar um profissional não representa exagero, mas uma medida de cuidado e prevenção.
O olhar de familiares e amigos
Familiares e amigos frequentemente percebem mudanças de comportamento antes da própria pessoa. Isso ocorre porque quem enfrenta sofrimento emocional tende a minimizar os sintomas ou acreditar que conseguirá lidar sozinho com a situação. Entre as alterações mais observadas estão o isolamento social, a redução do contato com pessoas próximas e oscilações de humor.
Irritabilidade frequente, abandono de atividades antes consideradas importantes, queda no desempenho profissional ou escolar e descuido com a aparência e a higiene pessoal também chamam a atenção. Falas repetitivas de autodepreciação ou descrença em relação à vida são sinais que, segundo o psicólogo, não devem ser ignorados.
A depressão afeta tanto o campo emocional quanto o físico. No aspecto psicológico, são comuns sentimentos de tristeza profunda, desesperança, culpa excessiva, baixa autoestima e sensação de incapacidade. No corpo, podem surgir dores sem causa clínica aparente, fadiga persistente e alterações no sono, no apetite e no peso.
Também são observados prejuízos cognitivos, como dificuldade de atenção, memória, tomada de decisão e lentificação do raciocínio. Esses sintomas reforçam que a depressão não se limita ao estado emocional, mas envolve o organismo como um todo.
A importância de buscar ajuda
A orientação para procurar apoio psicológico ou psiquiátrico surge quando o sofrimento emocional começa a impactar a qualidade de vida. Sass ressalta que não é necessário esperar que a situação se agrave. A psicoterapia analítico-comportamental pode ser buscada tanto de forma preventiva quanto como tratamento, auxiliando no entendimento das emoções, pensamentos e comportamentos, além do desenvolvimento de estratégias mais saudáveis para enfrentar dificuldades.
Em quadros mais intensos ou persistentes, o acompanhamento psiquiátrico pode ser indicado para avaliar a necessidade de medicação, sempre de maneira responsável e integrada ao cuidado psicológico. Para o especialista, buscar ajuda profissional é um gesto de autocuidado, consciência e respeito à própria saúde mental, princípios centrais reforçados pelo ‘Janeiro Branco’.



