Pesquisadora da UFFS detalha trajetória e pesquisas aplicadas à detecção de câncer

Trabalho de Gisele Louro Peres envolve biossensor, estudos com fluoróforos e o projeto de divulgação científica

Na última quinta-quinta recebemos no nosso PodCor, a Dra. Gisele Louro Peres. Pesquisadora e professora da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Laranjeiras do Sul, com atuação na área de química, especialmente na pesquisa de tecnologias aplicadas à saúde. Doutora em físico-química, coordena grupos de pesquisa dedicados ao desenvolvimento de fluoróforos para detecção de câncer e lidera ações como o projeto ‘@elasemarte’, voltado à divulgação científica e ao incentivo à participação feminina na ciência.
Natural de Rio Grande, Dra. Gisele iniciou sua carreira lecionando em escolas públicas e privadas, além de atuar no setor privado em uma empresa de fertilizantes. Posteriormente, realizou mestrado e doutorado, incluindo período de doutorado sanduíche nos Estados Unidos, e pós-doutorado em Portugal. Ao longo de sua trajetória, ela combinou experiência prática e acadêmica para construir pesquisas inovadoras, com foco em soluções aplicáveis à saúde e à sociedade.

Da paixão pela ciência à inovação no diagnóstico
Em entrevista ao PodCor – Podcast do Jornal Correio do Povo do Paraná, Dra. Gisele contou como a diversidade de cursos e alunos da UFFS ampliou o alcance de suas pesquisas. “Com alunos de diferentes áreas, especialmente das engenharias, foi possível avançar em projetos que antes eram inviáveis. Aqui encontrei um ambiente muito favorável, que permite unir conhecimento teórico e aplicação prática”, disse.
O projeto mais recente da pesquisadora é o desenvolvimento de um biossensor para detecção de câncer. “Durante o pós-doutorado, eu buscava um período exclusivamente dedicado ao estudo. Entrei em contato com diversos pesquisadores até chegar ao professor Paulo Claro, da Universidade de Aveiro. Inicialmente, o foco era divulgação científica, mas acabei conhecendo o trabalho do grupo em química computacional, o que foi fundamental para desenvolver o biossensor”, explica. O biossensor identifica a glicoproteína TAG-72, um marcador presente em tipos específicos de câncer, como pâncreas, ovário, cólon e fígado. Segundo Dra. Gisele, a tecnologia oferece uma alternativa mais rápida, menos invasiva e potencialmente mais acessível do que os métodos tradicionais: “Hoje, muitos diagnósticos dependem de biópsias, que são caras, dolorosas e demoradas. Nosso biossensor permite detecção precoce, com menor desconforto para o paciente”.
A química computacional foi essencial para o projeto, permitindo simular estruturas e comportamentos moleculares e acelerar o desenvolvimento da tecnologia. “Embora eu não seja especialista nessa área, tive acesso a dados e modelos que transformaram teoria em aplicação prática”, diz a pesquisadora.

Ciência, inclusão e impacto social

Além da inovação tecnológica, Dra. Gisele destacou a importância do investimento em ciência e políticas públicas voltadas à pesquisa. “Não basta incentivo simbólico; é preciso recurso financeiro. Desenvolvemos pesquisas com grande potencial social, ambiental e na área da saúde. A divulgação científica é essencial para que a sociedade compreenda esse valor e pressione por políticas públicas”, afirma.
A pesquisadora também abordou o papel da diversidade na ciência: “Como mulher negra e cientista, esse lugar de fala é muito importante. Espero que possamos seguir dialogando e ampliando o alcance da ciência, mostrando que é possível unir talento, dedicação e impacto social”.
Em paralelo à pesquisa, Dra. Gisele coordena o projeto @elasemarte, que busca inspirar meninas e mulheres a se engajarem em carreiras científicas, promovendo eventos e oficinas de química e ciência aplicada. “É essencial que a ciência seja inclusiva, que todas as pessoas se sintam parte desse universo de conhecimento e inovação”, destaca Dra. Gisele.
A pesquisadora segue à frente de seus projetos de pesquisa e coordenação de grupos científicos na UFFS, com estudos em andamento voltados à detecção de câncer e à aplicação de fluoróforos, além de atividades de divulgação científica junto à comunidade acadêmica.