Clínica Piassa: qualidade técnica e propósito marcam trabalho liderado por Caroline Piassa

Clínica idealizada pela psicóloga a partir da experiência com o filho atende crianças com autismo e mantém atuação regional e social

A Clínica Piassa, especializada no atendimento a crianças com transtorno do espectro autista, nasceu a partir da experiência pessoal da psicóloga Caroline Piassa, que transformou a vivência familiar em um projeto profissional com atuação regional. Em entrevista, em entrevista, ela relata como a experiência com o filho Benício foi determinante para a criação da clínica, que hoje atua em Candói, São Lourenço do Oeste e Laranjeiras do Sul, além de manter o Instituto Inspirar, voltado ao atendimento social de crianças com transtorno do espectro autista.

Ao longo de menos de dois anos, a iniciativa passou de um rascunho feito em casa para uma rede de atendimento com alta demanda, impulsionada pela carência de serviços especializados na região e pela busca de um modelo mais humanizado de cuidado.

Vivência pessoal como ponto de partida

A origem da Clínica Piassa está diretamente ligada à experiência de Caroline com o filho. “Tudo começou com o Benício. Eu e a minha família tivemos que aprender muito sobre o autismo por causa dele”, afirma. À época, a família residia em Candói, município que não contava com atendimento especializado.

Diante da ausência de serviços, a alternativa foi buscar tratamento em outra cidade. “Passei a levá-lo uma vez por semana para Guarapuava, onde tive bastante orientação profissional”, relata Carol. Segundo ela, esse acompanhamento foi essencial para ampliar o entendimento sobre o transtorno e sobre as possibilidades de intervenção.

Durante esse período, Caroline passou a aplicar orientações terapêuticas no ambiente familiar e a buscar formação complementar. “Comecei a buscar cursos, estudar e me especializar cada vez mais”, explica. Para ela, o aprendizado prático contribuiu para uma mudança significativa na sua visão sobre o cuidado clínico.

Da atuação generalista à especialização

Naquele momento, Carol atuava como psicóloga no Sistema Único de Saúde, com jornada integral. “Eu trabalhava 40 horas semanais como psicóloga no SUS, atendendo todo tipo de demanda”, afirma. Segundo Caroline, o trabalho envolvia desde atendimentos em saúde mental até avaliações para transtornos do neurodesenvolvimento.

Com o tempo, a psicóloga passou a identificar limites nesse modelo. “Quando fazemos de tudo um pouco, não conseguimos nos aprofundar em nada”, reflete Carol. A constatação levou à decisão de reduzir a carga horária no serviço público e migrar para o atendimento privado, buscando maior especialização e qualidade técnica.

A escolha também teve motivação pessoal. “Eu queria ter mais tempo com o Benício”, afirma Caroline. A partir disso, surgiu a ideia de criar um espaço que reunisse atendimento técnico especializado e uma abordagem mais próxima das famílias.

Estruturação do modelo de atendimento

A clínica começou a ser desenhada de forma informal, em uma conversa familiar. “Fiz apenas um rascunho simples, sem grandes pretensões”, relata Carol. O atendimento teve início em janeiro de 2023, sem inauguração formal, devido à demanda imediata.

Segundo Caroline, desde o início o foco esteve na qualidade do serviço. “A gente começou atendendo porque precisava atender”, explica. A estrutura física e os processos internos foram sendo ajustados conforme a clínica crescia, sempre com atenção à organização e à padronização do cuidado.

Técnica como eixo central

A base do trabalho da Clínica Piassa é a técnica. Carol destaca que todos os atendimentos partem de avaliações detalhadas e da elaboração de planos terapêuticos individualizados. “Uma equipe especializada realiza avaliações, define os planos terapêuticos e acompanha a execução dos atendimentos”, afirma.

Os profissionais que ingressam na clínica passam por um procediemnto importante. “Eles recebem orientação e supervisão constantes”, explica Caroline. Segundo ela, o modelo garante segurança tanto para os pacientes quanto para os profissionais.

A proposta, conforme Carol, é assegurar que todas as unidades operem com o mesmo padrão técnico. “O objetivo é garantir consistência e qualidade no atendimento”, reforça.

Acolhimento como parte do processo terapêutico

Além da técnica, o acolhimento é tratado como parte essencial do cuidado. “Além da criança em atendimento, a gente tem uma família que também busca esse conforto, no atendimento que deve ser humanizado”, afirma Caroline. Para ela, o ambiente da clínica precisa transmitir segurança e tranquilidade.

Esse cuidado se reflete na evolução dos pacientes. Carol cita o caso de uma criança acompanhada desde o início das atividades em Candói. “Quando a gente compara a criança que chegou com a que vemos hoje, parecem duas crianças completamente diferentes”, relata.

Para Caroline, os resultados são consequência do acompanhamento contínuo, da aplicação técnica adequada e do envolvimento familiar. “A evolução acontece quando todos caminham juntos”, avalia.

Propósito social e atuação comunitária

O propósito social também integra a identidade da clínica. A criação do Instituto Inspirar ocorreu após o contato de uma mãe que não tinha condições financeiras de custear o tratamento do filho. “Nos sensibilizamos com a situação e nos colocamos à disposição para ajudar”, afirma Carol.

A partir dessa demanda, foi estruturada uma parceria com o município para ampliar o atendimento. Atualmente, cerca de 35 crianças são atendidas pelo instituto. “A clínica fornece os profissionais especializados e o município entra com a estrutura e o apoio logístico”, explica Caroline.

Segundo Carol, o instituto representa a essência do projeto. “É a extensão do motivo pelo qual a clínica nasceu. Nosso propósito o atendiemento de qualidade e humanizado com foco em resultados positivos para nossos pacientes”, reflete.

Consolidação e perspectivas

Com a unidade de Laranjeiras do Sul, o foco passou a ser a consolidação do modelo. “O meu maior sonho é que a clínica seja um espaço acolhedor, tranquilo, seguro e com significado para quem passa por aqui”, afirma Caroline.

De acordo com Carol, a prioridade não está na abertura de novas unidades, mas no fortalecimento das equipes e na manutenção da qualidade. “Crescer só faz sentido se a qualidade for mantida”, conclui. A trajetória da Clínica Piassa revela um projeto estruturado a partir da prática, sustentado pela técnica, pelo acolhimento e por um propósito que orienta todas as decisões.